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A causa da enurese noturna pode estar relacionada a problemas psico-sociais, como crises na família (separação dos pais, brigas, medo ou falta de atenção); hereditariedade (pais que na infância também tiveram problemas semelhantes) e problemas na bexiga (instabilidade vesical e outras disfunções anatômicas).

Primeiramente, só consideramos enurese quando a criança tem mais que cinco anos de idade e faz xixi na cama no mínimo duas vezes por semana por meses consecutivos.

Pode ser primária, quando ela nunca ficou sem fazer xixi, ou secundária, quando controlava já há algum tempo, mas voltou a escapar de uma hora para outra.

A enurese de etiologia emocional nunca é um sintoma isolado, aparecendo juntamente com outros comportamentos regredidos da criança: atrasos de linguagem, birras, brincadeiras infantis, dificuldades de aprendizagem, etc. Sua causa ocorre em um momento do desenvolvimento onde a criança vê suas funções corporais como “objetos de dom”, ou seja, dignos de grande importância para o outro, em especial para a mãe zelosa que se ocupa em cuidar do corpo da criança, que faz um jogo chamado “inversão de demanda”, que funciona na base da observação perspicaz do que a mãe pede e da oferta do contrário.

Basicamente é assim: A mãe pede para o filho que segure o xixi, insiste nisso, comemora cada ida ao banheiro, briga há cada escape e o filho, vendo o quanto a mãe deseja aquilo, não dá o que ela quer, com o franco objetivo de ser olhado por ela, de continuar tendo a preocupação materna, de não dividir a atenção da mãe com terceiros. É um jogo inconsciente onde ambos estão presos e o sintoma só melhora com:

1. Nunca ridicularize, bata ou repreenda a criança por urinar na cama. O castigo não surte nenhum efeito. Em vez disso, elogie-a e recompense-a quando não acontecer;

2. Tente limitar a quantidade de líquido que seu filho bebe após o jantar.É super importante entender que a enurese não significa mau comportamento. Não é intencional e a criança não é culpada. Nenhuma enurese melhora com castigo, punição ou constrangimento, pois é involuntária e deve ser vista como parte de um processo de amadurecimento ou como um pedido de ajuda de alguém que não encontrou meios para pedir de outro jeito.

Mayara Almeida é Psicóloga de orientação psicanalítica, Esp. em Gestão de Pessoas e pós-graduanda em Psicologia Clínica. Também é Escritora e membro do grupo de escritores Sol das Letras. Atua em consultório na cidade de João Pessoa/PB, atendendo, crianças, adolescentes e adultos. Cultiva um carinho todo especial pelo universo materno e infantil, por isto está aqui.

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