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Quem nunca ouviu falar em bicho papão, velha do algodão, bichos que se escondem debaixo da cama ou dentro do armário?
Acho que até a adolescência não ia ao banheiro a noite sozinha, não fechava uma porta sem olhar bem para o que tava fazendo, porque temia que uma mão tenebrosa me segurasse pelo braço. Dormir depois de todos? nem pensar e completamente no escuro então, para mim era a premissa de um filme de terror, daqueles mais sangrentos. Incontáveis vezes corri para a cama  e pulei nela bem antes de chegar perto, mergulhei de longe (risos), porque tinha medo que uma mão sobrenatural puxasse minha perna.  Sombras assustadoras no escuros se revelavam monstros terríveis. A imaginação da criança  é bem fértil.

Com o tempo pude comprovar o seguinte: a maioria dos meus medos eram por causa de algumas pessoas da minha família e amiguinhos de colégio. Hoje, parece tudo muito engraçado, mas ficava apavorada de ir a escola porque havia uma  kombi que sequestrava  crianças e roubava seus lhes os órgãos.

Nunca compreendi porque os adultos teimam em pôr medo nas crianças, até nas músicas infantis: ” boi, boi, boi, boi da cara preta, pega esse menino que tem medo de careta…” ” Ah, ah, ah, ah, ah  neném quer apanhar…” ” dorme neném, que a cuca vai pegar…”  E ainda: ” se não comer vai ficar feio. ” ” se não ficar quieto vou chamar o velho do saco” e outras coisas.  Isso é crueldade!

É normal o medo aflorar na infância, pelo menos até os 5 anos. O medo é um estado  que deixa  nosso corpo em alerta, quanto aos perigos  iminentes. A ausência de medo pode expor qualquer um à perigos, principalmente, crianças. O medo na proporção certa  é saudável. O papel dos pais deve ser  auxiliar os filhos a lidar com isso e não piorar.

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As çriancas são diferentes uma das outras e lidam de maneira diferente com medos, podem abstrair com o tempo ou guardar como traumas, distúrbios para a vida adulta.

De acordo com o site: bebe.com.br, os medos mais comuns por idade são:

* 0 a 18 meses:
Barulhos estranhos ou altos, luzes intensas, pessoas estranhas e riscos de quedas. O bebê chora ou fica irritado e agitado.

* 18 a 36 meses:
Água, pessoas mascaradas ( papai Noel, palhaços), escola e tudo o que for estranho à sua rotina. É importante saber que a zona de conforto do bebê está ligada à ordem.

* 3 a 5 anos:
Fantasias assustadoras , como monstros e fantasmas. É a fase da imaginação fértil, que  pode se intensificar na hora de dormir. Ela acontece por causa do desenvolvimento da massa cinzenta. Vale lembrar, que a capacidade de imaginação aumenta à medida que ocorre o desenvolvimento biológico do cérebro.

* A partir dos 6 anos:
Medos ligados à realidade, como o de ladrão  e o de acidentes em geral. A família deve transmitir a malícia necessária para a criança ter segurança. Nessa hora, é importante demonstrar om agir em uma piscina ou, então, o que fazer diante do assédio de estranhos.

Como lidar com o medo do seu filho:

– Dê atenção. Não banalize e não diga que é besteira. Numa criança o real e o irreal ainda são muito próximos.

– Fale a verdade sobre os medos reais ( ou amigos), para que a criança construa noções de perigo. Exemplo: ela tem que saber que escadas, piscinas e animais presos representam riscos. Mas, faça isso sem aterroriza-la.

– avalie a intensidade do medo e fique atenta para o limite da normalidade, que é rotina saudável da vida.

– converse com parentes e amigos para que não usem o medo da criança contra ela, como meio de poder. Além de cruel, isso reforça o medo.

Quando uma criança tem medo não devemos rir delas. Devemos tentar explicar o que está acontecendo, desmistificar, mas tendo sempre o cuidado que aquilo assusta a criança. Talvez,  se confidenciarmos a criança que já passamos por aquilo e nos sentirmos igual, ela vá aceitar melhor o que temos para dizer. Só não é justo obrigar a criança  a enfrentar o medo.

Em suma, não vemos dar importância excessiva ao medo infantil, mas devemos respeitar o que a crianca sente e evitar ridiculariza – lá sozinha ou na frente de outras pessoas

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente. É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada. Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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