Este post foi publicado aqui e resume uma desordem que vivi na pele e que motivou a criação do meu blog e resolvi dividir com vocês – é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Pós-Parto. Graças a Deus, e ao meu esforço, está superado. Desejei melhorar por mim, por meu filho, por minha família, e por todas as mulheres que passaram e passarão por violência obstétrica. A solução, no meu caso, além do blog, foi a amamentação exclusiva, a hidroterapia (e suas variações), a detecção em tempo, a psicanálise, o ativismo na humanização, e ter me tornado doula.
Espero que seja útil esta leitura para quem sofre com seu parto “anormal”, incompleto, sua cesariana, enfim, com ou sem desfecho trágico (aos olhos de quem vê, claro). Procure ajuda, vale a pena superar profundamente isso tudo e ser uma mulher mais completa, um ser humano que se conhece melhor. O teptpp não é como a depressão pós-parto, não tem a ver com sentimentos de rejeição ou violência em relação ao bebê, mas com a sensação de vulnerabilidade. Para mim, teve tudo a ver com a sensação de perda da autonomia sobre o meu corpo.
Há também a http://www.birthtraumaassociation.org.uk/, para quem deseja se aprofundar e entender melhor o que se passa com outras mulheres e casais que passaram por situações-limite ligadas ao parto e nascimento.
Boa sorte!
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Imagem: divulgação
O que é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Pós-Parto?
Muitas mulheres quando engravidam, planejam e idealizam o momento do parto. É um acontecimento marcado por muita expectativa, ansiedade, euforia, muitas vezes medo, outras coragem, entre as mais variadas emoções. A percepção, satisfação e sensações vividas durante o trabalho de parto e parto poderão marcá-las e acompanhá-las por toda vida.
Infelizmente, para algumas mulheres, a experiência e lembranças do parto são sentidas como aterrorizantes e traumatizantes, difíceis de serem elaboradas e esquecidas, podendo ocasionar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático Pós-Parto (TEPTPP). O diagnóstico e tratamento do TEPTPP ainda são pouco conhecidos no Brasil e no mundo, podendo ser avaliados a partir de um mês após o parto.
Quais são os principais sintomas encontrados nas mulheres com TEPTPP?
  1. Sentem-se fracassadas e culpabilizam-se por esta sensação. Sentem-se socialmente desajustadas em relação às outras mães, uma vez que não têm o parto como algo “glorioso”;
  2. Sentimentos de raiva, ansiedade e depressão e a sensação de terem sido injustiçadas;
  3. Sensação de perda de controle;
  4. Sensação de ameaça à integridade física e/ou psicológica;
  5. Flashbacks; pesadelos – cenas que vêem à memória, ou em sonho, onde revivem o parto traumático;
  6. Sensação de desligamento: vivem como sombras de sua própria pessoa, um certo “distanciamento” no contato com tudo e todos;
  7. Obsessão sobre questões à respeito do que aconteceu com seu parto, por quê;
  8. Necessidade de falarem excessivamente sobre sua experiência;
  9. Isolamento do mundo e da maternidade: sentem dificuldades em amamentar seu filho, não porque não o amem, mas porque ele é parte da representação do trauma vivido;
  10. Quebra da rotina familiar: não se sentem compreendidas pela família, pois “o mais importante foi que o bebê nasceu bem…”;
  11. Quebra de relacionamentos: sentem-se desconfortáveis no que diz respeito às relações sexuais com o companheiro, temendo uma nova gestação (tocofobia);
  12. Opção pela cesariana eletiva: pelo medo do parto (tocofobia), muitas mulheres procuram a cesariana eletiva (agendada);
  13. Sentem-se isoladas no cuidado: não encontram espaço nem profissional para falarem de sua experiência, uma vez que esta está diretamente associada à prática profissional. 
Quais são os fatores que podem influenciar na ocorrência do TEPTPP?
Sentir-se ameaçada, seja física ou emocionalmente, ou ao seu filho; sentir-se insegura; não ouvida e compreendida, como se não existisse, ou que sua opinião não fosse importante; sofrer procedimentos do qual não esperava como uma episiotomia, ou toques ginecológicos (sem consentimento), são alguns dos fatores que podem influenciar na percepção e satisfação da mulher com seu parto, e desenvolvimento do TEPTPP.
Quais são os fatores que podem interferir para uma experiência satisfatória de parto e nascimento? (e prevenção do TEPTPP?)
Sabemos hoje que na experiência da parturição da mulher, em um ambiente em que se sinta segura, com a presença de um acompanhante à sua escolha, contínuo, a percepção de que está sendo ouvida e compreendida, ter acesso a informação sobre o que está acontecendo em seu parto, a possibilidade de participação nas decisões sobre si, entre outros, são fatores essenciais para uma
satisfatória e prazerosa experiência de parto e nascimento.
Vê-se necessário aceitar, aprender, e compreender as relações que podem influenciar cada parto, cada situação….Cada mulher é única, e cada experiência de parto é um momento único, para sempre… (Daniela Andretto)

Contribuição do leitor. Saiba como participar do blog: http://www.maedoano.com.br/participe-do-blog/

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