Pesquisa do Projeto POP-Brasil aponta que jovens entre 16 e 25 anos apresentam uma prevalência estimada do HPV de 54%;Infecção pelo vírus do papiloma humano possui alta associação com o aumento de casos de tumores malignos de colo do útero, orofaringe, ânus, vulva e pênis

O número de casos relacionados à infecção pelo chamado papilomavírus humano – conhecido como HPV – vem aumentando em homens e mulheres. Sua transmissão ocorre por meio da prática sexual sem proteção, inclusive durante o sexo oral, e, entre as consequências desse cenário, está o aumento do número de casos de câncer, fator que já é tido por especialista e Governo como problema de saúde pública.

“O que acontece é que o risco de desenvolver o tumor maligno entre os jovens é muito grande pela liberdade sexual adquirida nos últimos anos. O HPV, em conjunto com o tabagismo e o etilismo, estão diretamente associados ao desenvolvimento precoce de tumores malignos”, explica o Dr. Andrey Soares, oncologista do Centro Paulista de Oncologia – Grupo Oncoclínicas.

Essa preocupação em especial está relacionada à geração de jovens e adultos que nasceu após o “boom” do HIV e, apesar de bem informada e consciente dos riscos envolvendo doenças sexualmente transmissíveis, apresenta índices elevados de contágio pelo HPV. Não à toa, o Ministério da Saúde lançou nesta semana uma nova campanha de mobilização para vacinação de adolescentes contra o vírus e também incluí proteção para a meningite C. O objetivo é imunizar 10 milhões de jovens, considerando meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos, ao longo de 2018.

Segundo estudo apresentado pelo governo federal na abertura da campanha, dados do projeto POP-Brasil coletados em 2017 indicam que pessoas entre 16 e 25 anos apresentam uma prevalência estimada do HPV de 54%. Além disso, o HPV atinge de forma massiva a população feminina. Em média, 75% das brasileiras sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus acontece justamente na faixa dos 20 anos.

“Atualmente possuímos uma alta incidência de câncer de colo do útero entre a população feminina no Brasil, sendo ele hoje considerado a quarta maior causa de morte entre as mulheres. Ao todo, são estimados 16 mil casos da doença por ano. Quando tomamos conhecimento do agente causador da doença, os dados são ainda mais alarmantes, pois 90% das mulheres acometidas com câncer de colo do útero têm o vírus HPV”, revela o oncologista Daniel Gimenes, também do Centro Paulista de Oncologia (CPO) – Grupo Oncoclínicas.

Vale ainda lembrar que além dos tumores de orofaringe e colo do útero, a infecção pelo papilomavírus humano está ligado a mais de 90% dos casos de câncer anal, 63% dos cânceres de pênis e 71% dos cânceres de vulva.

Vacinação como prevenção ao câncer

“As neoplasias decorrentes do contágio pelo HPV são consideradas problema de saúde pública e o Ministério da Saúde desempenha um importante papel no controle dentro de seu Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) no Brasil, o que inclui a vacinação contra esse vírus sexualmente transmissível”, complementa o Dr. Andrey.

Para os especialistas, a prevenção primária, por meio da vacina para imunização, está diretamente relacionada à diminuição do risco de incidência do câncer e, por isso, é recomendada geralmente para garotas e garotos que ainda não iniciaram a vida sexual.

Em complemento, os oncologistas do CPO destacam os exames periódicos para detecção de tumores. “Falar de diagnóstico precoce é sempre importante, pois considerando que boa parte dos tumores relacionados ao HPV, como colo de útero e garganta, pode ter sintomas silenciosos, muitas vezes os pacientes perdem a chance de descobrir a condição ainda na fase inicial. De forma geral, quando diagnosticado precocemente é possível que haja uma redução de até 80% de mortalidade pelo câncer”, afirma o Dr. Andrey.

O Dr. Andrey reforça essa percepção. “Se pensarmos em tumor orofaríngeo, os primeiros sinais podem aparecer por meio de feridas que não cicatrizam na boca nos primeiros 15 dias, além do aparecimento de nódulos no pescoço. Dor para mastigar ou engolir também são sintomas que não devem ser ignorados. Estes fatores, ligados a rouquidão persistente, manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca e bochecha, bem como lesões na cavidade oral ou nos lábios, aparecimento de pequenas verrugas na garganta ou na boca e dificuldade na fala podem revelar um possível diagnóstico com associação ao HPV. Portanto, é muito importante que seja acompanhado de perto por um especialista”, finaliza.

Campanha de Vacinação

Com o slogan “Não perca a nova temporada de Vacinação contra a meningite C e o HPV”, a campanha do Ministério da Saúde contará com um vídeo, com veiculação prevista para o período de 13 a 30 de março, que mostra um menino e uma menina fugindo do vírus em um cenário com inspiração nos seriados juvenis que fazem sucesso entre esse público jovem e seus pais. A fuga termina no momento em que os jovens entram em uma unidade de saúde e se vacinam.

A meta é ampliar a cobertura vacinal e assim diminuir a prevalência do HPV, que hoje está muito alta, de acordo com declarações feitas pelo ministro da saúde, Ricardo Barros.

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