Acho que falei cedo demais!! Como diz a gíria: Queimei a língua. Fiquei me gabando que Maria estava passando “ilesa” pelos dois anos, os “terrible two”…

raivinha

Uma coisa é certa: por um escândalo publico ninguém nunca vai está preparada. Um acesso de raiva compromete sua imagem como mãe?? Bem, se comprometeu, eu nem pensei nisso ou pouco me importei naquele momento, o que eu queria era fazer aquele serzinho para um pouco com o choro e gritos, e fazê-la me escutar. Tentei falar, mas ela parecia que não me ouvia. Queria levar um notebook de brinquedo para casa, e parecia que nada a faria desistir. Não se importou com as pessoas, apesar de sempre ser tímida na frente de estranhos, mas naquele momento não fez diferença.

MAROCA + NOTE

 Muitos chamam de “birra”, “chilique”, ” manha”, não gosto desses termos porque parece que a criança premeditou tudo aquilo, que está manipulando tudo. Não creio nisso, posso até ter uma visão romântica da maternidade, mas para mim, as crianças são boas. Acredito que elas só não conseguem expressar com palavras ou ações mais comedidas, suas frustrações. Confesso que fiquei sem acreditar que ela faria aquilo, mas fez… O que fazer quando uma criança tem uma explosão de sentimentos assim e não estamos protegidos dos olhos curiosos e educadores tradicionais. Não sei!! Sinceramente, não tenho ideia. Agi por extinto, por amor, por apego.  Ajoelhei perto dela, que se agarrava com o brinquedo e expliquei que não poderíamos levá-lo naquele momento, que ela já estava levando um livrinho. Mas, nada adiantava, ela chorava e argumentava em um dialeto próprio. Tentei abraçar e fui rejeitada (nunca tinha sido antes e doeu), mas mesmo assim coloquei-a nos braços e fui desviando sua atenção do objeto, queria tirar ela dali. Já em outra seção ela já estava bem, sem chorar, me abraçando. Passou rápido, a crise só durou o suficiente para transitarmos do setor de brinquedos até a papelaria. Acho que deu certo, né!? Deu certo me colocar no lugar dela, ter respeitado pelo seu sentimento, sua emoção naquele momento. Não briguei, não fiquei brava, só preocupada com o que ela tivesse sentindo. Provavelmente, estava envergonhada por ter pessoas olhando para ela. Frustrada por não poder levar aquele brinquedinho tão lindo e cheio de novidades, imagina se ainda a mãezinha dela tivesse sido grosseira, estúpida com ela?? Posso não concordar com as ações, mas tenho obrigação de ser respeitosa com os sentimentos dela.  Mantra do dia: paciência, paciência… paciência.

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente. É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada. Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *