Quem um conto conta, um fantasma espanta. Foi o que a pedagoga Paula Furtado descobriu durante um curso sobre a importância de contar histórias com finalidade terapêutica. A partir daí, passou a utilizar a prática com seus pacientes e não parou mais. Desta experiência nasceu essa publicação, a obra “Terapia do Conto – Para Curar o Coração”, que foi lançado em março pela Girassol Brasil, com ilustrações de Carol Juste.

São nove histórias narradas em verso, que abordam temas como divórcio, luto, adoção, ciúmes entre irmãos, bullying, medo, autoestima e respeito às diferenças. Os contos, criados pela pedagoga de acordo com a necessidade de cada paciente em seu consultório, foram testados e aprovados pelos pequenos leitores.

“O uso das histórias como recurso terapêutico permite a identificação da criança com os personagens e os conflitos apresentados, fazendo desaparecer o medo, o estresse, a ansiedade, a culpa e aponta um novo caminho, garantindo a possibilidade de um final feliz”, explica a autora.

Para facilitar a identificação ou projeção dos pequenos, os personagens são representados como animais ou crianças. O objetivo é ajudar pais, professores e orientadores educacionais a usar os contos para trabalhar os assuntos considerados “difíceis” de forma direta e ao mesmo tempo lúdica.

“As histórias enriquecem as experiências infantis, ampliando o vocabulário, formando o caráter e desenvolvendo a confiança na força do bem. Nos contos, os enredos são organizados de tal forma que os valores morais estão implícitos nas ações dos personagens e isso colabora para a construção da própria identidade, da ética e da cidadania em nossas crianças”, finaliza Paula.

Vale dizer que a autora já trabalha na continuação deste projeto, que pretende reunir em uma coleção outros títulos que abrangem as questões e desafios mais comuns do mundo infantil.

DICAS DE SELEÇÃO E LEITURA

Paula ressalta a importância de selecionar bem as histórias a serem trabalhadas com os pequenos, pois existem aquelas específicas para determinados temas ou situações, ou seja, narrativas que permitem uma identificação imediata do leitor ou ouvinte com o enredo.

Após a escolha, a forma como a qual os pais e educadores contam a história é de grande importância para o sucesso do conto como processo terapêutico.

Dicas da autora:

– Não comparar as crianças com os personagens ou dar sermões ao fim de cada história. A ideia é deixar o inconsciente agir e fazer as conexões necessárias sozinho. Quando o adulto pontua um aspecto e defende uma posição sobre o assunto em pauta, o trabalho simbólico fica bloqueado. Exemplo: a criança está mentindo muito e o pai conta a história “Pedro e o lobo”. A criança ouve tudo muito interessada, mas, quando termina a leitura, o adulto faz o seguinte comentário: “Viu o que acontece quando as crianças mentem?” Neste momento, todas as conexões que a criança estava realizando com o seu dia a dia terminam e ela percebe que aquela história foi só mais um sermão, só que mascarado.

– Procure, ao término de cada história, explorar com a criança as sensações que ela experimentou durante a leitura, por meio de perguntas como: O que você achou da história? / O que você mais gostou da história? /O que lhe incomodou na história? / De qual personagem você mais gostou? / Você conhece alguém que viveu uma situação parecida? / Você já se sentiu como esse personagem? / Como você imagina que o personagem se sentiu quando aconteceu aquela situação? / Você teria a mesma atitude de tal personagem? / Você gostou do final? Deixe a criança falar, sem censuras.

– Caso a criança durma no meio da história, procure, mesmo assim, contá-la até o final. Em geral, os pequenos pegam no sono no momento do conflito e, para evitar que eles tenham pesadelos e durmam com a imagem da bruxa ou do lobo, por exemplo, é necessário continuar a leitura, chegando ao final feliz, pois o inconsciente ainda está ligado mesmo quando a criança está sonolenta.

– Para contar histórias, o pai ou educador deve procurar conhecer bem a narrativa. Apropriar-se do enredo dará mais verdade ao texto. É importante contar a história com naturalidade a fim de que haja por parte da criança uma maior identificação com os personagens e os conflitos narrados, de forma que a criança possa relacioná-los com suas experiências, apontando para um caminho de soluções.

Vale a pena conferir o trabalho que a Paula tem para os pequenos e com eles: http://www.paulafurtado.com.br

Mãe de Aécio e esposa de Renato, publicitária, especialista em Criação Visual e Multimídia, trabalha com marketing e comunicação e, além do Mãe do Ano, é responsável pelo Roteiro Baby JP, que divulga a programação infantil de João Pessoa, é presidente da Associação das Mulheres empreendedoras da Paraíba, tem uma banda de músicas infantis – a Catavento Colorido – e desenvolve atividades para crianças através da Colmeia Projetos Criativos.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *