Acho que muitos nutricionistas podem concordar comigo: o pedido número 1 nos consultórios é o famoso “mas não existe um remedinho que possa prescrever pra perder peso mais rápido?”. Minha resposta costuma ser bastante sincera: se houvesse mesmo um fitoterápico natural e barato com essa ação, acha que teríamos gordos no mundo?

As pessoas não cansam de buscar um comprimido milagroso que faça-os perder peso sem precisar parar de comer a sobremesa ou tomar a cervejinha no final de semana e sem ter que passar horas na academia. Eu, nutricionista há quase 10 anos, fiquei intrigada com essa paranoia que só tem aumentado e fiz uso de 2 tipos de fitoterápicos famosamente usados para perda de peso e estou aqui para contar para vocês um pouco sobre essas experiências.

A primeira que testei foi a Spirulina, que é do grupo das algas verde-azuladas, com perfil nutricional que a torna ideal como suplemento alimentar, pois substitui satisfatoriamente as fontes artificiais de nutrientes, por combinar diversos constituintes de maneira equilibrada. A habilidade da Spirulina em proporcionar melhorias na saúde como um todo desperta seu interesse. O mercado tem a tendência de supervalorizar um produto assim, e o público acaba não pesquisando tudo que deveria antes de começar a utilizar o produto. E sim, temos que chamar de produto, porque ele está sendo comercializado – e esse comércio se aproveita das boas qualidades desse fitoterápico para lucrar com o desejo que todo mundo quer: o emagrecimento rápido e sem esforço.

Decidi fazer uso dele da forma que os pacientes geralmente querem: sem nenhuma restrição alimentar e sem atividade física. Eis o que aconteceu:

Primeira semana: Não houve mudança na sensação de fome e na saciedade. Mas apresentei enjoos, dores de estômago (não fortes, mas ainda fiz uso de medicação prescrita por um gastro no segundo dia), dores de cabeça e diarreia (e, por culpa dela, acabei diminuindo 450g na balança, que foi recuperada com a ingestão de líquidos)

Segunda semana: Não houve mudança na sensação de fome e na saciedade. As dores de estômago e cabeça aliviaram, mas não sumiram completamente e o enjoo permaneceu. Percebi que passei a ter uma retenção de líquido maior do que o usual e o intestino passou a ficar preso, mesmo tomando bastante água. Nesse período, recuperei as 450g que “perdi” na primeira semana e houve aumento de 100g na balança.

Terceira semana: Diferente do que as propagandas dizem, passei a sentir meu apetite maior. A sensação era de estar com fome mesmo a cada 1h30, o que atrapalhou minha rotina diária. Mexeu nos meus horários de refeição, adiantei lanches e jantar, o que me levou a sentir fome mais cedo à noite, e caso eu estivesse acordada depois das 22h (o que acontece quase sempre), eu não conseguia segurar a fome, que acabava por dar tontura e fraqueza, e fazia mais um lanche 30 minutos antes de deitar. Continuei de intestino preso. Houve aumento de 310g no peso da balança.

Quarta, quinta e sexta semanas: Finalmente, os enjoos, dores de estômago e cabeça e diarreia se foram. O apetite parece ter voltado ao estado normal, voltei a sentir fome de 3 em 3h, e parei de fazer o lanche extra à noite. Continuei de intestino preso. Não houve mudança no peso, mas a retenção de líquido permaneceu, mesmo suando mais e indo mais ao banheiro para fazer xixi (na dúvida, eu conversei semanalmente com uma esteticista, que me mostrou os lugares que havia maior retenção).

Esse foi o lado ruim: diarreia inicial, seguida de prisão de ventre, retenção de líquido, dores de cabeça, enjoos, estômago ruim, aumento de apetite e ganho de 410g no peso total (o peso era aferido sempre no mesmo horário do dia e com a mesma roupa). O lado bom: a imunidade deu uma melhorada geral, gripes, resfriados e alergias foram minimizados (isso no período que começamos o calor-frio pessoense, é uma ótima propriedade) e percebi as unhas um pouco mais fortes. No meu caso, tenho discreto aumento no colesterol total devido ao uso contínuo de uma medicação para fibromialgia e após as 6 semanas, o colesterol praticamente normalizou.

Claro que cada organismo funciona de uma forma – eu posso não ter me adaptado tão bem ao composto mesmo sendo natural, e isso não significa que todos terão todos esses efeitos colaterais também.

Estou fazendo uso do segundo tipo, então fiquem ligados que em breve sai a experiência que estou tendo com ele.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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