Existe uma frase que eu ouvi a minha vida inteira, e que quando me tornei mãe, ela veio a ter um significado ainda mais intenso: mãe é tudo igual, só muda de endereço. Será mesmo?

Fotografia: Anna Grecco
Fotografia: Anna Grecco

A princípio eu achei que sim. Quando meu filho estava com pouco mais de dois anos, eu comecei a ver minhas amigas terem seus filhos e nossas rodas de conversas eram aquela “festa”. Tínhamos as mesmas preocupações, os mesmos medos, as mesmas inseguranças, as mesmas reclamações, as mesmas experiências, as mesmas fases de desenvolvimento, as idênticas noites mal dormidas… e os mesmos sorrisos nos rostos. Os mesmos olhares apaixonados direcionados às crias. Nós éramos todas iguais, éramos MÃES.

Mas num (não tão) belo dia, tudo mudou. Não sei exatamente de onde surgiu tanta intolerância e desrespeito, mas eles pairavam entre nós. E começaram a partir os nossos laços. Agora estamos divididas em mulheres que tiveram filhos por cesárea e mulheres que tiveram partos normais. Ainda surgiu aquele grupo que se mostra cada dia mais radical: o grupo das defensoras do parto natural. Num piscar de olhos, aquele grupo de MÃES que compartilhavam umas com as outras as dores e delícias da maternidade, estava em pé de guerra, brigando para tentar eleger algo inelegível: que mulher é mais mãe e que mulher é menos mãe.

Fotografia: Anna Grecco
Fotografia: Anna Grecco

Eu discordo de tudo isso. Da situação inteira. Uma mulher se torna MÃE no momento em que o exame de gravidez dá positivo. E ela se oficializa mãe para o restante da sociedade no dia do nascimento. Independentemente da forma que o bebê nasce, a mulher ali é mãe. Parto natural, parto normal ou cesárea, somos todas mães. Está na hora de começarmos a pensar no grande e deixar de discutir o pequeno. Nós somos donas de nós mesmas, o modo como nós escolhemos que nosso filho vá nascer pertence a nós e nós somente, e não deve ser motivo para tamanha intolerância e desrespeito da parte de quem pensa diferente de nós. Você não é menos mãe ou um ser humano pior por escolher a cesárea. Você não é mais mãe ou um ser humano melhor do que ninguém por escolher o parto normal ou natural. Você apenas teve a sua escolha e quis que todos a respeitassem. Então nada mais justo do que respeitar as escolhas dos outros em retorno.

Esse texto foi inspirado pela leitura de uma postagem fantástica feita na página do Facebook do blog Mãe de A a Z, o qual vale muito a pena ler na íntegra. Abaixo leia meus trechos favoritos, e confira o link para a postagem inteira no final do post. Paz e amor, mães! Paz e amor!

Somos todas humanas. Somos mulheres. Fico ainda mais pasma quando vejo doulas, que carregam uma linda missão que tem como premissa, a meu ver, o amor, sendo cruéis, duras mesmo com mães que fazem cesárea. Tecem comentários maldosos, debochados, desnecessários em comunidades do FB. Triste de ver. E eu vi!!

Veja: defenda suas crenças mas não desrespeite seu próximo. Argumente a favor do que você acredita mas sem agredir ninguém. Compreenda, tolere, respeite. Só pode se fazer respeitado quem respeitar. Só terá algum poder de convencimento quem for sábio e sensato em suas argumentações, sem abrir mão da educação e da sobriedade.

O fato de eu acreditar que o parto normal seja a melhor escolha, ideal para mãe e bebê, não me dá o direito de ser intolerante com quem pensa diferente.

Você aí, defensora ferrenha do PN que aponta seu dedo inquisidor para todas as mulheres que fizeram cesárea, olhe para si mesma também. Você é perfeita? Quem faz normal é melhor do que as demais? Por que seria? O parto normal coloca alguém acima do bem e do mal? Torna a mulher um ser superior e iluminado? Desculpe, mas, definitivamente, não.

Escute, pense, seja capaz de se colocar no lugar do outro, pondere. Parabéns por sua escolha, parabéns por seu parto natural. É realmente lindo. Mas a maternidade (não importa a forma como o bebê vem ao mundo), que não se resume apenas a parir, deve nos tornar mais amorosas, nos fazer mais generosas e compreensivas. É assim que eu penso. Só posso acreditar que deve estar faltando amor em quem julga tanto com tamanha crueldade. Está faltando educação, generosidade, capacidade de entender e respeitar o outro.

Para ler a postagem completa do Blog Mãe de A a Z, clique AQUI.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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