Como dizia Caetano Veloso (Dom de Iludir), “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Cada um de nós sabe o que acontece em nossas vidas e não cabe a ninguém julgar as nossas atitudes. É essa a intenção desse texto. Sem julgamentos, tá? Esse é um convite à reflexão. E, como sempre, talvez não haja apenas uma resposta certa. Ou talvez não haja respostas. Mas precisamos começar a pensar. Queremos um mundo melhor para nossos filhos. Então precisamos ter um mundo melhor através de nossos filhos.

Muitos pais se sentem perdidos, confusos, ansiosos, inseguros quando falamos de Educação, independente da idade da criança e da situação a que ela esteja sendo submetida. O que é uma boa educação? Como se mede isso? E será que a “boa educação” é a mesma em todos os países, em todas as idades?

O que é uma criança de 2 ou 3 anos bem educada? Será aquela que diz bom dia, boa tarde, boa noite, desculpas, por favor, com licença? Não seria essa uma criança bem “treinada”, bem “condicionada”? Será que essa criança sabe mesmo o que ela está falando com um ou dois anos de idade? Ou com três?

Será que uma criança de 2 anos quando pede desculpas, sabe o que isso quer dizer? Ela sabe de verdade o que está fazendo? Com que idade começa essa consciência?

Desculpa: “Arrependimento de quem julga ter ofendido, contrariado ou aborrecido outrem”. (Dicionário Houaiss).

Ou seja, uma criança de 2 anos e meio fez alguma coisa que ela depois descobriu (ou, mais provavelmente, alguém disse a ela) que estava errada, se arrependeu e pediu, do fundo do coração, para ser desculpada. E entendeu quando foi desculpada pelo que havia (ou pelo que disseram que ela havia) feito de errado. Seria isso possível?

Crianças precisam tanto de pessoas que olhem por elas, quanto das que olhem para elas e com elas.

EDUCAR.

Qual é a sua ideia de educação?

Será que dá para definir em uma só dessas explicações do dicionário?

Ou em todas? Ou em nenhuma?

MICHAELIS

  1. Dar ou oferecer (a alguém) conhecimentos e atenção especial para que possa desenvolver suas capacidades intelectuais, morais e físicas.
  2. Transmitir conhecimento a; ensinar, instruir.
  3. Fazer (alguém) adquirir certos costumes e princípios exigidos por uma sociedade civilizada.
  4. Treinar um animal a obedecer; adestrar, domesticar.
  5. Adaptar um ser vivo às condições atmosféricas ou climáticas ou a um ambiente.
  6. Buscar atingir um alto nível de evolução espiritual.

Educar é tudo isso, é muito mais do que isso e talvez não seja nada disso. Estamos querendo educar as crianças como se elas fossem adultas, como se elas tivessem as nossas ferramentas para interagir com o mundo.

Os valores podem até sofrer uma influência do que é dito e repetido. E tudo precisa sim ser dito e repetido, à exaustão e até um pouco mais. Porém, com certeza, nossas ações podem definir, com muito mais impacto, os valores que queremos transmitir a uma criança.

Nada contra os bons dias, os boas noites, os por favores, as desculpas ou os obrigados. Eles são consequências da vivência e convivência e, uma vez incorporados de forma integral, serão naturalmente incluídos no dia-a-dia das crianças, adolescentes e adultos.

Mas que tal pensar em educar como sendo sinônimo de transmissão de valores maiores? Respeito, humildade, honestidade, amizade, cidadania, vínculo, perseverança, amor pelo próximo, pela natureza, pelo mundo?

Vamos… refletir?

Dr. Moises Chencinski (CRM-SP: 36.349 – Pediatra e homeopata – Membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria de São Paulo).

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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