Não sei exatamente quanto realmente mudou desde a minha infância. A verdade é que me lembro de uma infância mais leve. Com brincadeiras no quintal, mais idas à praia, ao parque, à praça, banhos de chuva ou de mangueira com os pés na grama, roupas sujas de tinta e de areia. Eu era criança!

Imagem: Google.
Imagem: Google.

Hoje percebo uma robotizada muito grande na rotina das crianças. É muita TV, muito tablet, muito smartphone, computador. As crianças não escrevem, desenham e pintam mais com papel e lápis. É tudo digital. As crianças estão desde cedo inseridos numa rotina tão corrida quanto a rotina dos adultos. Parece que os pais tem um medo gigante de que as crianças tenham 1 segundo de “tédio” ou do suposto “ócio”. É aula de inglês, balé, natação, judô, futebol, reforço de português… as crianças tem cada horário dos dias preenchidos. E eu me pergunto: a que horas do dia essas crianças são de fato crianças?

Não, não estou dizendo que atividades como as citadas acima vão prejudicar a criança. Longe disso. Todas têm seus méritos. Mas tenho questionado se a ausência do tempo para si, do tempo para a simplicidade, para apenas ficar em casa, com os próprios pensamentos e a criatividade da própria mente, não estão minando a infância das nossas crianças.

Outro dia meu pequeno me pediu coisas bem simples para brincar enquanto eu estava sentada na mesa, trabalhando de casa. Aqueles tubos de papelão que sobram em papel higiênico e plástico filme ou papel alumínio. Papel branco, lápis de pintar, palitos de picolé, tesoura sem ponta e cola. Me perguntei o que ele queria com aquilo, mas não expus minhas dúvidas. Deixei-o bem à vontade e fiquei trabalhando com um olho nas planilhas e o outro nele. Ele sentou-se no chão da sala, ao meu lado e lenta e cuidadosamente foi cortando e pintando os papéis em diversos tamanhos e formatos. Pintou todos e por fim, começou a passar cola nas arestas. Pouco mais de 30 minutos depois, pude ver o que a criatividade dele havia transformado em brincadeira. Ele construiu sua própria armadura! O sorriso dele ia de orelha a orelha, ele estava tão feliz por ter criado aquilo tudo sozinho que aquela brincadeira nos encheu de alegria. Ele exibia com orgulho o brinquedo caseiro que ele criou com uma dose de criatividade, foco e paciência. E assim ele usa as caixas de cereal, as caixas de sapato, ou qualquer coisa de papelão que vá pro lixo, antes vira um carro, uma nave espacial, um ônibus intergaláctico. E percebo que o bom de ser criança, é ser criança na forma mais simples.

Fonte: Google.
Imagem: Google.

Sabemos que a violência muda um pouco os nossos hábitos. Saímos sempre com bastante cuidado hoje em dia. Mas muitas vezes, não precisamos do brinquedo mais caro, de um eletrônico à tiracolo, nem da escola de dança mais conceituada ou do cinema com óculos 3D numa sala VIP para proporcionar o melhor para os nossos filhos. Às vezes, apenas deixa-los serem crianças é o suficiente.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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