Falamos um pouco sobre a importância do teste do olhinho aqui no site. Mas a dúvida permanece: depois dele, qual a frequência que devemos levar os nossos filhos ao oculista? E quais exames são fundamentais?

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A Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) sugere que um exame ocular COMPLETO seja realizado pelo oftalmologista a cada 6 meses durante os dois primeiros anos de vida, e após, anualmente até os 9 anos de idade. Na impossibilidade de uma avaliação pelo oftalmologista, o pediatra deverá fazer o exame, mesmo que não disponha de todos equipamentos sofisticados do especialista. O exame será realizado com o que o pediatra dispor em seu consultório.

Exame oftalmológico básico realizado pelo pediatra

Antes do exame oftalmológico, deve ser realizada a anamnese, que deverá abordar os tópicos comuns a qualquer história clínica, além de uma detalhada história do pré-natal, do parto (peso, idade gestacional, complicações) e do desenvolvimento geral da criança.

Muitos pais tendem a negar a doença dos filhos e não irão oferecer voluntariamente algumas informações, a menos que especificamente tenham sido perguntados. Os pais tendem a não informar voluntariamente se a criança rodou de ano na escola, se faz tratamento com psicólogo ou se usa medicação para hiperatividade, e tudo isso influencia a maneira como deve ser conduzida a avaliação oftalmológica.

Exames oftalmológicos mais comuns na infância

  1. EXAME EXTERNO: Inspeção das pálpebras e aspecto externo dos olhos, primeiro com a luz natural, depois com a lanterna.
  1. INSPEÇÃO DAS PUPILAS: Inspeção com a lanterna, posição, tamanho, formato e reflexos pupilares.
  1. MEDIDA DA ACUIDADE VISUAL:
  • BEBÊ COM MENOS DE TRÊS MESES: usar objetos grandes, a uma distância de mais ou menos 30-40 cm dos olhos. Testar fixação com os dois olhos abertos e com um de cada vez. O bebê às vezes presta atenção, às vezes não, pois o reflexo de fixação ainda está se desenvolvendo.  Não usar brinquedos com ruídos, pois o bebê olhará para o lugar de onde está vindo o som, mesmo que não consiga ver.
  • DE TRÊS MESES A TRÊS ANOS: usar objetos menores, a uma distância de 40 cm. Testar fixação com os dois olhos abertos e com um de cada vez. O bebê deverá fixar e seguir os objetos.
  • ENTRE TRÊS E 5 ANOS: melhor método é testar a visão com optotipos isolados (medida da acuidade visual angular) ou identificação de figuras.
  • ENTRE 5 E 7 ANOS: já informam a visão com o teste do “E” de Snellen, A criança deve indicar com a mão para onde estão apontando as “perninhas” da letra E, com os dois olhos abertos e com um de cada vez.
  • APÓS 7 ANOS: medir acuidade visual como se mede no adulto, com letras.
  1. EXAME DA MOTILIDADE OCULAR: Para se descartar um estrabismo manifesto, deve ser realizado o teste do reflexo corneano. O teste da cobertura e da cobertura alternada irão confirmar a presença de estrabismo, inclusive as formas latentes.
  1. REFRAÇÃO: O exame de refração da criança deve ser sempre realizado sob cicloplegia, seja através da retinoscopia, como no auto-refrator. Para realizar a retinoscopia, as réguas de esquiascopia são muito mais práticas para o exame de crianças do que o refrator acoplado à coluna (para a refração de bebês são fundamentais). Como as informações fornecidas pelas crianças de até 8 anos não são muito fidedignas, a prescrição dos óculos deve se basear nos achados objetivos.

 

  1. BIOMICROSCOPIA: O exame no biomicroscópio ou lâmpada de fenda é realizado facilmente após os 3 anos de idade. Nos bebês, a “técnica do aviãozinho”  funciona bem: o auxiliar segura o corpo do bebê, com o ventre para baixo e o rosto contra o apoio para a cabeça na lâmpada de fenda.  A dificuldade maior é no exame da criança entre 1 e 3 anos… Às vezes, bichinhos sobre o aparelho “descontraem a criança” e facilitam o exame. A lâmpada de fenda portátil pode ser muito útil no exame da criança, especialmente naquelas hospitalizadas.
  1. FUNDOSCOPIA: O exame de fundo de olho deve ser sempre realizado com dilatação de pupilas, durante a consulta de rotina, tenha ela sido por qualquer motivo. Lembre-se: esta pode ser a única chance de ser detectado um retinoblastoma em tempo!  A dilatação sugerida já foi abordada no item “refração”.  A oftalmoscopia direta e a indireta devem ser realizadas.
  1. TONOMETRIA: Faz parte do exame de rotina do adulto com mais de 40 anos e de toda criança com qualquer suspeita de glaucoma. Este é dos poucos exames que pode requerer anestesia geral ou sedação, pois é, na maioria das vezes muito difícil sua realização na criança entre 4 meses e 4 anos. No bebê com menos de 4 meses, a dica é deixá-lo com fome, e na hora do exame, a mãe dá o peito. A “mamada” muitas vezes “anestesia” o bebê pequeno. Na consulta de rotina, deve-se realizar pelo menos a medida da “pressão ocular bidigital”, que é feita com os indicadores sobre os globos oculares para termos uma ideia da pressão e da presença ou não de diferença na pressão entre os dois olhos.

LEMBRETES IMPORTANTES:

CRIANÇA CHORA!  É NORMAL a criança com menos de 2 anos e meio chorar no exame. Não é necessário exame sob narcose ou sob sedação na imensa maioria das vezes. É recomendável, entretanto, evitar o “lanchinho” ou a “mamada” na sala de espera, antes do exame, pois o choro demasiado pode provocar vômito.

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Lembre-se que o exame deverá ser COMPLETO, com dilatação de pupilas, mesmo que ele tenha ido por estar apresentando conjuntivite! Nestes casos, na impossibilidade de realizar o exame completo na primeira consulta, agenda-se um retorno para dilatação, pois muitas vezes esta pode ser a única chance de diagnóstico de um retinoblastoma, por exemplo.

Fonte: Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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