Como leitora do Jornal da Paraíba, um jornal sério e formador de opinião, me senti desconfortável com a matéria apresentada no caderno Cidades deste domingo, 1º de julho de 2012. O título “Mulheres preferem parto cesáreo na PB” é inadequado diante do conteúdo exposto, já que em nenhum momento o texto referiu-se à preferência das mulheres em consonância com algum dado estatístico.

As mulheres preferirem parto normal não indica que chegarão ao final da gravidez tendo seu desejo atendido e a principal razão disso não é a preferência da mulher ou eventuais complicações que sejam real indicação de cesariana, mas a conveniência médica. Na matéria não consta a recomendação da OMS de que a margem aceitável de parto cirúrgico é de 15% e que mesmo os 60% de partos normais que ocorrem na maternidade Frei Damião estão longe desta recomendação.

Se o Presidente da Associação Paraibana de Hospitais, Francisco Santiago, desconhece este panorama, deveria estar presidindo outra associação. Quem no lugar dele estaria desinformado desta situação?

O direito de escolha, citado por Raquel Petrucci, pelo parto normal ou cesáreo na rede privada é uma fantasia. Principalmente na nossa capital, onde 98% dos partos realizados – na CLIM e Unimed João Pessoa – são cesarianas e, obviamente, a maioria esmagadora é eletiva. Não é o que a mulher prefere, mas o que é oferecido a ela por estes hospitais.

A possibilidade mínima de se conseguir um parto normal hospitalar ainda é repleta de ameaças de violência por parte da equipe de saúde. São as piadinhas fora de hora, a indução por medicamento que torna o parto ainda mais doloroso, o pique (episiotomia) de rotina que mutila o órgão sexual da mulher, a barriga empurrada que deixa marcas e pode até mesmo romper algum órgão vital.

A esposa do Márcio Garcia teve parto domiciliar sim, o seu terceiro parto. Ela poderia ter acreditado que era incapaz de parir diante da primeira cesariana a que foi submetida contra sua vontade e sem necessidade, mas decidiu que queria tentar e naturalmente conseguiu. A discussão em defesa do parto domiciliar nasce da mais pura falta de opção diante da frieza e até mesmo violência hospitalar.

Eu, como muitas outras pessoas, acredito que minha casa é muito mais limpa que qualquer hospital. E que meu bebê estará muito seguro mais seguro em contato com os micróbios comuns de casa que com os do ambiente hospitalar, onde todos os dias são noticiados focos de infecção por bactérias super-resistentes a antibióticos. Lugar de bebê saudável é em casa, lugar de parto de baixo risco é onde a família decidir.

Juliana Sallenave

Mãe, Administradora, blogueira e leitora do Jornal da Paraíba

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