presente

Chegando o fim de outubro, mês das crianças, mês de presentes, comemorações em escolas, creches e berçários.

O que significa um presente para uma criança? Algo novo, inusitado, que nunca se viu, mas que perde sua característica logo, pois sempre há algo novo a se conquistar. Criança pequena é bem pior, muitas vezes passamos horas escolhendo um presente, enfrentamos filas enormes, gente mal humorada, lojas cheias e o pequeno gosta mais da embalagem, da caixa, do que do seu conteúdo. Afinal o que interessa mesmo para seu filho nesses e em todos os dias do ano?

O que interessa para os pequenos é mesmo a presença dos que ele ama e sente segurança. Ele quer contar com os que ele ama pertinho dele. Poder olhar, abraçar e ser abraçado. Correr para perto quando se sentir frustrado ou assustado. Ter os pais a dois passos de si é a coisa mais interessante que seu pequeno vai querer.

Todas as lembranças boas que tenho da minha infância são todos ( família), juntos e misturados. A família indo à praia, ao zoológico, ao parque de diversões. Os almoços de aniversários, as ceias de fim de ano. O preparo das comidas típicas das festas juninas. Não tenho lembrança de presentes especiais, exceto depois que cresci quando minha mãe mesmo sem ter condições financeiras, passou uma semana escondendo um boneca que eu queria, debaixo de sua cama. E eu sabia desde o primeiro dia que ela comprou porque achei o esconderijo e rasguei um pouco a embalagem para ver o que tinha dentro. E já não era só a boneca, mas o carinho que ela tinha tido em comprar, esconder para me entregar só no dia do meu aniversário. Eu por uma semana fui o centro de seus pensamentos. Eu já era grandinha para entender que aquilo valia mais que o mais caro presente do mundo.

 maroca com presente

O que quero dizer com isso? A presença dos pais marca mais os filhos do que qualquer presente. Hoje, nessa correria que vivemos muitas vezes nos vemos obrigados a nos afastarmos de nossos filhos para poder dar-lhes o melhor, aquilo que, por ventura, não tivemos. Tentamos compensar a ausência com presentes e agrados, mas muitas vezes o que os pequenos querem é que quando cheguemos em casa, e nos dediquemos a eles. Que possamos comer uma comidinha imaginaria com eles, lhes contar uma história, fantasiarmo-nos de monstros terríveis, soltar pipas, ser cavalinhos, desenhar, pintar, correr, nos esconder. Ser seus filhos de fantasia. Dar gargalhadas fingidas, assistir mil vezes o mesmo desenho animado. Dar-lhes o seu olhar, a sua atenção. O seu amor. È isso que uma criança deseja… ser amado.

Do que adianta ter os brinquedos mais modernos, caros, se não têm a presença dos pais. Se os pais não tem tempo nem de brincar com eles. Se quando saem não conseguem nem se desligar dos afazeres um minuto sequer.

Uma coisa é certa, a infância não dura a vida toda e eles não vão esperar para tê-los como amigos para sempre. Logo, logo não ter outros amigos que lhes darão atenção e aí, talvez, seja tarde para você.

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente.
É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada.
Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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