Qual a relação entre alergia a ovo e a vacinação?
A alergia ao ovo de galinha é uma reação de origem imunológica às proteínas do ovo. Ela é considerada o segundo fator causador de alergia alimentar mais comum em bebês que mamam e crianças pequenas, perdendo só para o leite de vaca. Na hora de tomar alguns tipos de vacinas, é comum que o profissional de saúde encarregado pergunte se você sofre dessa alergia, já que elas podem conter proteínas do ovo.

Alguns exemplos de vacinas que têm na sua composição essas substâncias são a anti-influenza e a vacina contra febre amarela. Porém, a Dra. Priscilla Filippo, alergista no Rio de Janeiro, recomenda a avaliação prévia por um médico assistente. “Nem todas devem ser tomadas com precaução, a vacina MMR, aquela que serve como proteção contra o sarampo, rubéola e caxumba, é permitida aos pacientes alérgicos ao ovo”, explica a doutora.

Cinco proteínas principais do ovo de galinha podem ser identificadas: Gal d 1-5. A maioria delas está presente no ovo branco. O potencial dessas proteínas para causar alergia depende principalmente (mas não exclusivamente) de sua resistência ao calor e às enzimas digestivas, refletindo na sua capacidade de estimular a resposta imune.

Sintomas

A forma como a alergia se manifesta varia e pode surgir já em alguns minutos, ou até horas depois de ingerir o alimento. Entre os sintomas, estão:

  • inchaço em pálpebras, lábios, mãos;
  • vômito e diarreia;
  • urticária (lesões no corpo que causam coceira);
  • falta de ar;
  • chiado no peito;
  • dor no abdômen;
  • anafilaxia, mas apenas em casos graves.

“Reações fatais são raras, imprevisíveis e variam de acordo com cada pessoa, mas podem acontecer”, relata a Dra. Priscilla. Elas acontecem quando o ovo é ingerido cru ou mal cozido.

Já foi comprovado que a alergia ao ovo de galinha tem o potencial de desencadear dermatite atópica em lactentes e crianças, especialmente, além de esofagite eosinofílica alérgica. A combinação da alergia e a dermatite atópica apresentam um fator de risco para asma. Por outro lado, poucos casos de enteropatia estão relacionados ao ovo.

Adultos também podem ser atingidos. Pessoas que trabalham em fábricas de processamento de ovo e padeiros, por exemplo, podem sofrer de rinite ou asma ocupacional.

Diagnóstico

A análise é feita levando em conta diversos fatores, como a história clínica detalhada, o resultado do exame físico, teste cutâneo de leitura imediata ou Prick test, teste de contato para alimentos, exames de sangue e teste de provocação oral.

Já o diagnóstico diferencial é realizado com alergia a demais alimentos que sejam feitos com ingredientes diversos, à contaminação de ovo mal cozido por toxinas que provocam diarreia e vômitos, entre outros.

A alergia ao ovo tem cura?

Para tratar a alergia, é preciso interromper a ingestão de ovo completamente e educar o paciente e familiares sobre como reagir caso ocorra exposição acidental. Segundo a médica, esse tipo de alergia é persistente, então o acompanhamento clínico regular também é importante a fim de acompanhar a evolução em crianças.

Bibliografia:

Jean-Christoph Caubet, Julie Wang. Current understanding of egg allergy Pediatr Clin North Am. 2011 April 1; 58(2): 427–443

González-macedo et al. Validation of recipies for double-blind placebo-controlled challenges with milk, egg white and hazelnut. JACI 2016 May 24.

Filho da Tania, estudante de Publicidade e Propaganda, ator e apaixonado por assuntos ligados à saúde e bem-estar. Divide seu tempo entre a faculdade, estágio e às publicações do blog.

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