No ano passado, a Alzira Karla, mãe de primeira viagem, teve pré-eclâmpsia na 34ª semana de gestação e passou por uma antecipação do parto. Júlia Beatriz nasceu com 1.365g e dia após dia recuperou-se até receber alta da CLIM, aqui em João Pessoa. Em conversa, soube que mãe e filha se encontravam apenas por meia hora em cada turno enquanto a pequenina estava internada na UTI neonatal. O leite materno, essencial para a melhor recuperação da bebê, era entregue à maternidade pela mãe, mas houve necessidade de complementação. Será que essa produção de leite não seria maior se pudessem ficar pertinho uma da outra?

Sob um olhar tecnocrata está sendo tudo feito da melhor maneira. Mas estamos perdendo a oportunidade de lançar mão do nosso primeiro recurso em busca da recuperação – que é o afeto, o carinho, o colo, o seio de mãe.

Quando meu Pedro nasceu foi levado para o berçário por algumas horas, o que eu nunca entendi muito bem. Por que é mesmo que nossos bebês logo ao nascer são colocados longe de nossas vistas mesmo quando nascem saudáveis? Como é que se sente um bebê colocado num banho de luz logo ao nascer? E por que banho de luz de rotina? Os bebês são seres conscientes que nascem com todos os sentidos mais ou menos aguçados. Eles percebem o que se passa a sua volta. Quando lemos que o bebê é capaz de reconhecer a voz da mãe e que o vínculo mãe-bebê começa ainda na gestação não é romance não. Eles nos conhecem antes mesmo de nascer e, logo ao nascer, são levados para longe da única pessoa que eles conhecem. É de estressar qualquer um, convenhamos.

Alzira Karla e Júlia Beatriz – primeiro encontro depois do parto antecipado

Já tinha visto algumas vezes na mídia o Método Mãe-Canguru (MMC) e me perguntei esta semana se aqui em João Pessoa ele existe na prática. Afinal, não basta apenas estarmos num bom lugar para dar à luz, com alto padrão de hotelaria. Queremos que nossos filhos tenham todos os meios disponíveis no caso de algum imprevisto. E não precisa ser só o mais caro, mas tudo do melhor – o que comprovadamente o MMC é.

Tanto a mãe como o pai podem carregar a criança amarrada ao seu corpo na posição vertical e o método comprovadamente traz benefícios ao desenvolvimento do prematuro além de diminuir o risco de infecção hospitalar. Evidente ganho de peso, aumento do vínculo familiar, menor tempo de separação mãe-filho, melhor controle térmico, diminuição das infecções hospitalares e menor permanência na unidade de saúde. Esta revisão define bem o panorama.

O método é constituído de três etapas hospitalares, na primeira os pais têm livre acesso à UTI neonatal e podem manter contato físico com bebê e até ajudar a realizar alguns cuidados. Na segunda etapa, o bebê, que está mais estável, fica de fraldinha aconchegado no peito por várias horas. Na terceira etapa o bebê fica amarrado 24h na posição canguru e todos cuidados serão feitos pela mãe sob supervisão da equipe de saúde. Por último, o método é levado para casa e a mãe, pai e/ou avós podem carregar o recém-nascido que deve ser levado para as revisões ambulatoriais e depois às consultas mensais normais.

A questão é que quando o método é utilizado ocorre alta precoce dos jovens pacientes. Será que é esta a sentença que esclarece a não aplicação do Método Mãe-Canguru nas maternidades privadas da nossa cidade? Será que o hospital tem interesse num período maior de internação?

A aproximação precoce favorece o fortalecimento do vínculo afetivo na UTI ou no baixo risco. Nunca entendi o porquê de não termos alojamento conjunto numa maternidade, sendo pública ou privada. Ou dos nossos bebês tomarem banho de luz sem que tenham icterícia. Excesso de zelo? Penso que não. Se já é mais que comprovado isso tudo, por que nossos filhos não ficam conosco desde o momento em que saímos da sala de parto? E se faz bem mamar na primeira hora de vida, por que ficamos separadas deles por horas? Vamos reagir, mães, afinal queremos o melhor para os nossos filhos.

* Mais sobre o MMC e direitos dos prematuros. Informativo da Johnson’s baby.

RESUMÃO – UTI Neonatal em João Pessoa

Cândida Vargas – Aplica o Método Mãe Canguru.

CLIM – A mãe e o pai somente podem passar 30 min por turno com seu bebê – às 10h, 15h e 20h. Não aplica o Método Mãe Canguru.

Edson Ramalho – O acesso das mães é ilimitado, dos pais restrito até as 22h e os avós podem fazer uma visita de 1h todas as tardes. Aplica o método da redinha na encubadora, simulando o útero materno.

Frei Damião – O acesso das mães é ilimitado, os pais têm horário de visita. Aplica o Método Mãe Canguru.

Unimed João Pessoa – O acesso dos pais é ilimitado, segundo a enfermeira da unidade. Não aplica o Método Mãe Canguru.

Contribuição do leitor.
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