Nós aqui estamos em clima de Copa do Mundo! Enquanto a bola rola solta nos pés de meninos e meninas, o futebol dá aulas práticas de respeito, coragem, estratégia e resiliência – valores fundamentais para fazer bonito no jogo da vida.

Futebol, como todo esporte, educa. A partir dos 6 anos, já é possível formar times, estabelecer regras simples e deixar os pequenos bem à vontade para aprender a lidar com diversas situações, desde treinar a coordenação motora para amarrar a própria chuteira até aceitar o fato de que não gostam de futebol. Sim, isso acontece com as crianças do nosso país.

Então, o que fazer com esses alunos e também com os tímidos ou desajeitados? “Aceitá-los como são e incluí-los na brincadeira, que precisa de gente nos bancos de reserva, na torcida, de um fotógrafo registrando a partida, de um gandula. Muitas vezes, os pequenos começam a pegar gosto pelo jogo participando de maneira indireta e fazendo todos os papéis, não só o de craque”, diz o professor Marcos Mourão, professor de educação física.

E vale o alerta para os pais fanáticos: mesmo que meninos ou meninas gostem muito de jogar, a prática deve ser descompromissada de resultados e pressões até os 11 anos. Se a criança estiver em uma escolinha de futebol, é preciso se certificar de que a carga de exercícios e movimentos repetidos não está passando da conta. A preocupação precoce em formar atletas pode sobrecarregar a criança, que não vai viver o lúdico, e sim ser privada da possibilidade de desenvolver o improviso, a espontaneidade. “Curtir a beleza do drible, da artimanha para vencer o adversário, pode ser mais divertido e valer tanto quanto marcar o gol.” afirma Mario Luiz Ferrari Nunes, líder do Grupo de Pesquisa em Educação Física Escolar da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

Além de treinar os passes e a corrida, o que favorece o crescimento, a criança exercita a relação com a autoridade do juiz, a autonomia das jogadas, o respeito pelos outros jogadores. “Durante uma partida informal, os aspectos emocional, físico e motor estão ativados ao mesmo tempo, o que é muito rico”, explica o professor Marcos. “Ansiedade, inseguranças, questionamentos podem vir à tona e ser processados no jogo ou em conversas com a turma. Isso inclui as questões éticas.” Marcos dá um exemplo: “O menino viu que o goleiro se machucou. Ele deve lançar a bola ou pedir ao juiz para interromper a partida e só recomeçar quando todos estiverem bem? O que cada um acha?”. Esse ambiente é um treino para que as crianças e os adolescentes aprendam como resolver as questões em grupo.

É muito comum que, dentro e fora de campo, as crianças e os adolescentes questionem as regras, e aí o futebol dá outra oportunidade: a de formar cidadãos críticos. “Quanto mais eles participam da construção das regras, quanto mais questionam e entendem o porquê de o jogo ser como é, mais comprometidos ficam em cumprir o combinado”, diz Marcos. Isso também vale na hora de os pais estabelecerem limites em casa. “É preciso explicar para que os filhos compreendam que as negativas não são apenas autoritárias mas formas de ampliar a liberdade e as possibilidades de ação. O goleiro não pode segurar a bola com a mão, para não atrasar a partida. Essa é uma estratégia para que o jogo fique ágil”, argumenta. “O futebol ainda ensina as crianças a ser rápidas, como o mundo em que vivemos”.

Faz parte aprender o valor de repetir uma, duas, dez vezes até dominar o lance e chegar a uma boa jogada. É importante também cair e levantar, lidar com a dor e com a agressividade (a própria e a dos outros), a frustração de ficar no banco ou de ver o time perder. O campinho pode ser um bom lugar para viver intensamente esse turbilhão de emoções, como um laboratório das experiências que virão, quando será preciso enfrentar ambientes heterogêneos e competitivos, driblar as adversidades e pôr a bola para frente todos os dias.

Fonte: Can Stock Photo

“O esporte me ensinou a sentir os lugares, a perceber as pessoas, os conflitos e a montar estratégias, cumprir metas, transformar dificuldades em desafios. O futebol é instrumento de inclusão, uma forma muito concreta de propor e conquistar metas, mas sem perder o caráter de diversão. O jogo ajuda a ‘amaciar’ o mundo individualista, desenvolve companheirismo, cooperação, cumplicidade, persistência”, revela o ex-jogador Raí, que atuou dos 18 aos 35 anos na seleção brasileira e em outros times.

Na infância e na adolescência, esse corpo a corpo de treinos e partidas divertidas é um potente antídoto contra o excesso de tecnologia, que a cada dia torna mais crianças sedentárias.

Resumo de uma publicação de Liliane Oraggio na revista Cláudia.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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