A superdotação é um fenômeno que se caracteriza por uma elevada capacidade mental e um nível de performance significativamente superior à média.

Diferente de uma habilidade, que pode ser adquirida através do aprendizado, a superdotação é entendida como um talento, uma aptidão inata; ou seja, o indivíduo nasce superdotado, e necessitará de um ambiente que lhe ofereça condições para exercer essas capacidades de forma adequada. Estes indivíduos, além das elevadas capacidades intelectuais, criativas ou artísticas tem forte espírito de liderança, e frequentemente se destacam numa determinada área acadêmica. Sabe-se que se trata de um fenômeno com marcadores genéticos, porém a vivência num ambiente com melhores recursos e estímulos promovem um desenvolvimento cada vez maior das capacidades mentais do superdotado.
Entretanto, os superdotados não precisam ser bons em todas as áreas. A superdotação pode ser geral ou específica para alguma área do conhecimento. Por exemplo, uma pessoa pode apresentar uma capacidade extraordinária em matemática ou na música, porém na área linguística, suas competências não serem igualmente superiores.
Há um conjunto de características que podem servir como indicativos na avaliação da superdotação. Vale ressaltar que os superdotados podem apresentar diversas dessas características, mas não necessariamente todas elas:

Desenvolvimento neuropsicomotor precoce: a criança engatinha, anda e fala mais cedo do que o esperado, com vocabulário avançado para a idade;

Habilidade superior para manutenção da atenção;

Ótima capacidade de memória com elevada e rápida capacidade de aprendizagem;

Persistência e motivação para a resolução de problemas;

Aquisição precoce da leitura;

Habilidade acima da média com números e aritmética;

Curiosidade incomum, desejo de aprender e capacidade de elaborar questionamentos de forma ilimitada;

Interesses em áreas específicas, podendo tornar-se especialista no assunto;

Criatividade;

Sensibilidade elevada, podendo apresentar fortes reações em relação a parte sensorial (ruídos, odores, dores), e especialmente à frustração;

Comportamento de liderança;

Energia elevada, o que pode ser confundido com hiperatividade, especialmente quando não estimuladas adequadamente;

Aguçada percepção de relações de causa e efeito;

Facilidade para estabelecer generalizações, ou seja, transferir aprendizagens de uma situação para outra;

Elevado senso crítico: rapidez em identificar contradições e inconsistências;

Pensamento divergente: habilidade em encontrar diversas idéias e soluções para um mesmo problema;

Tendência ao perfeccionismo.

Ainda, as crianças superdotadas podem eventualmente sofrer de problemas no ajustamento socioemocional. Uma vez que o desenvolvimento das capacidades mentais e intelectuais encontra-se muito acentuado e incompatível com os pares da mesma idade, é comum que o superdotado tenha prejuízos na interação social, devido a dificuldade em compartilhar os mesmos interesses. Alguns acabam por se relacionar com crianças mais velhas ou adultos, ou até mesmo podem apresentar um grande apreço pela solidão. Se a criança superdotada não for auxiliada pela família ou até mesmo por um profissional para lidar de modo adequado com sua condição, esse desajuste socioemocional pode evoluir para problemas de personalidade, depressão e ou traços de agressividade.
Os pais devem auxilar para o desenvolvimento psicológico mais saudável possível:

Oferecer um ambiente com recursos que estimulem continuamente as capacidades mentais da criança;

Evitar a supervalorização e as expectativas quanto ao desempenho da criança; ela mesma, em geral, já é muito exigente, e os pais devem aceitar falhas e ajudar a criança a enfrentar dificuldades de qualquer ordem.

Ajudar a criança a lidar com frustrações emocionais; apesar do superdotado não passar por dificuldades no aspecto acadêmico, o fracasso faz parte de outros contextos da vida, e prepará-lo para isso é favorecer seu desenvolvimento emocional saudável;

Não se esquecer que, embora possua capacidades avançadas para sua idade o superdotado deve ser tratada de acordo com a sua faixa etária de desenvolvimento.

Um psicólogo treinado poderá ajudar na detecção de possíveis pessoas altamente habilidosas por meio de avaliações específicas; orientação de famílias e professores; encaminhamento de crianças altamente habilidosas à escolas que possam suprir a necessidade de estimulação, enviando relatórios das avaliações feitas nas diferentes áreas.

* Com base neste artigo: Superdotação

Mayara Almeida é Psicóloga de orientação psicanalítica, Esp. em Gestão de Pessoas e pós-graduanda em Psicologia Clínica. Também é Escritora e membro do grupo de escritores Sol das Letras. Atua em consultório na cidade de João Pessoa/PB, atendendo, crianças, adolescentes e adultos. Cultiva um carinho todo especial pelo universo materno e infantil, por isto está aqui.

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