Sabe quando você toma antibióticos inadequados ou inadvertidamente para um tipo de bactéria e acontece dela ficar imune aquele medicamento, adquirir resistência a substância. Então, o médico tem que aumentar a dosagem, ou, após analisar a bactéria designar o medicamento e a dosagem especifica para combater a infestação. Pois bem, acredito que com a palavra “não”, acontece à mesma coisa. Vou explicar melhor: acho que quando uma criança é bombardeada com “nãos” aleatoriamente, ela com o tempo, torna-se imune a ele. Passará a ignorar, fazer de conta que não ouviu, afinal o “não” é usado para tudo mesmo.  Tudo é motivo para o “não”.

Antibióticos para combater o “não”

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 É difícil não usar indiscriminadamente o “não”, sei disso, às vezes, eles saltam da nossa boca. E também, nos casos dos pais que trabalham e a criança fica com outra pessoa, como controlar isso?? Esse é o meu caso, mas procuro conversar com a pessoa sobre nossa forma de tratar Maria. Confesso que dói no ouvido quando alguém fala para ela um sonoro “não”, sem explicação nenhuma, o “não” pelo não.  Procuro ser o mais delicada possível, e quando estou no ambiente vou e falo com Maria, explicando o porquê de não poder fazer aquilo que quer. Às vezes, a pessoa entende que a mensagem foi para ela também, mas, outras vezes, é necessário DESENHAR!

Não é que não use o “não” com minha pequena. Uso! Muito raramente, mas uso. Porém, procuro não cansá-la do “não”. O não por si só é autoritarismo, não autoridade. É demonstração gratuita de quem manda. Procuro dizer “não” com um “sim”. E não sou permissiva por isso, nem ela é mimada. Não sou daquelas mães que deixam seus filhos soltos, que ignoram quando eles machucam outra criança, que deixa fazer o que quiser na casa da tia porque ele está só sendo criança. Respeito é bom e eu gosto e as pessoas merecem. Já vi muita gente comentar que não chamava um casal para um programa por causa do filho, que era “mal educado”. Triste isso! Não por não ser convidado, mas pelas pessoas não tolerarem a presença de seu filho.

Digo e repito, criança precisa de disciplina, uma disciplina positiva fará pais realizados e crianças felizes e sem complexos.

Como dizer “não” com um “sim”

Lembrando que cada criança é um serzinho impar e muitas vezes a abordagem precisa ser adequada, principalmente se elas já forem crescidas. Mas comigo tem dado certo dizer “sim” parcial. Por exemplo:

  • Se ela quiser muito comer algo, mesmo já na hora de dormir. Eu digo: mamãe deixa, mas você vai ter que escovar os dentinhos de novo (pode ser só uma tentativa dela adiar a ida a cama, ou pode não ter ficado satisfeita com o jantarzinho);
  • “Sim, podemos passear na rua – mas, tem que segurar na mão de mamãe porque é perigoso”;
  • “Sim, você pode brincar com seu priminho – mas, deve ter cuidado em não tomar os brinquedinhos dele, ele é menor que você”;
  • “Sim, você pode deitar no chão –  mas, mamãe vai colocar um tapetinho porque o chão está frio e eu ficarei triste se você ficar doente”.

        E outras situações, que você pode economizar o “não” e acrescentar um “sim” parcial e uma conversa amorosa. Criança é perspicaz demais e absorve muito rapidamente tudo que lhe é falado e mais ainda, os exemplos. Outro dia, Maria estava brincando com o primo menor que ela e ele bateu na cabeçinha dela com as mãos, ela virou, abaixou para ficar do tamanho dele e disse: Aí, tutu ( Arthur) dói!! E continuou a brincadeira. Fiquei super orgulhosa.

          O “não” deve ser dito, na ocasião certa e da maneira correta. Todos os dias aprendo um pouco mais sobre essas questões, quando não estudando com a minha própria pequena. E seu filho tem muito a lhe ensinar também.

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente. É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada. Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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