É uma constatação forte, eu sei, mas é a mais pura verdade. Muitas mães não sabem amar seus filhos. Será que elas não sabem amar porque não tiveram amor? Acredito nas exceções também. Não é porque não fui amada que vou querer que meu filho sofra a ausência desse sentimento. Não vou fazê-lo sofrer por algo que alguém me fez no passado.

Essa semana li uma reportagem, infelizmente, em página policial sobre um padrasto que torturava uma criança de três anos. Em tom de brincadeira ele colava a pequena com cola forte para que ela não levantasse; dava cebolas para ela comer dizendo que era maçã; gritava no seu ouvido, impedindo-a de dormir quando ela já estava esgotada. Monstruosidades com uma criança. E o pior, a mãe era quem filmava tudo. Como isso é possível?? Que ser é esse que não tenta preservar sua filha bebê ainda de maus tratos de um psicopata qualquer? Essa “mãe” ou parideira estava lá nas páginas do jornal, na tela da tv e as que estão ao nosso redor e são tão cruéis quanto ela?

Conheço pessoas adultas que até hoje não se livraram e, provavelmente, nunca vão se livrar dos males, da sombra de uma mãe que não soube amá-las.

Quer destruir um adulto? Comece minando sua autoestima na infância. Diga-lhe que ela é gorda ou magra demais, feia, mal arrumada, burra, que não faz nada direito, que é mal, que é um erro. Que seus medos são besteiras. Você melhorará seu trabalho com surras, humilhação pública, amor zero. Pode ter certeza, você destruiu um adulto pela raiz.

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O desenvolvimento humano está ligado às experiências de vida. Essas experiências influenciam no desenvolvimento físico, social, emocional, cognitivo e comportamental. Uma criança que passa por toda essa cessão de sentimentos positivos terá um desenvolvimento distorcido e deficitário em relação a muitos sentimentos.

A violência física é identificada rapidamente, hematomas, cicatrizes, feridas, mas a violência emocional não é aparente, precisa-se olhar bem. Mas, o dano causado é para sempre.

Como mães temos a obrigação de primar pela saúde dos nossos filhos, saúde mental, emocional principalmente. Muitas vezes, não temos domínio sobre uma gripe, uma infecção bacteriana ou viral. Mas, podemos cuidar do coração e mente de nossos pequenos. O remédio??  Amor, amor e amor, puro e simples. Se você recebeu amor, distribua dobrado. Se você não recebeu, distribua todo amor que gostaria de ter tido. Isso fará a diferença entre uma criança feliz e adulto seguro ou uma criança insegura e triste e um adulto problemático. Amor nunca é demais. Ninguém sofre por excesso de amor.

 

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente.
É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada.
Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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