Minha mãe já me dizia “nunca aceite comida de estranhos”. Eu tomei isso como uma medida de segurança mesmo, sobretudo com meu filho. Às vezes, uma pessoa pode ser muito educada e gentil, apenas para se aproveitar da inocência das crianças. Se seu filho, como o meu, é altamente sociável e consegue conversar e interagir com todo mundo, de todas as idades, o cuidado é redobrado.

Percebo que mais do que a curiosidade das crianças em comer algo diferente, existe o desejo dos adultos ao redor em querer oferecer doces, frituras, salgadinhos e outras guloseimas para os bebês e crianças.

Existe uma linha muito tênue entre direitos, e nesta linha, muitas pessoas reclamam da falta de respeito. Sim, para mim (e provavelmente para muitas mães e pais afora) é uma tremenda falta de respeito (e educação) alguém oferecer algo para meu filho comer sem me consultar antes, além de ser também super perigoso, afinal, não sabem se ele é alérgico, diabético ou tem qualquer problema de saúde que o impeça de consumir certos nutrientes ou texturas específicas.

Todas as opções são casos reais e muito arriscados. Alergias podem matar. Açúcar pode deixar uma criança diabética em coma (e chegar a morrer). Uma criança que não sabe mastigar um chiclete pode se engasgar e não obter socorro a tempo. É preciso ter muita consciência nessa hora.

Quando meu filho era bem pequeno e ainda não tinha dentes, um familiar do pai ofereceu um pedaço de carne para ele “chupar”. Quando vi, eu peguei meu filho no colo e dei fim ao pedaço de carne. Mas o estrago já estava feito. A carne havia sido temperada com páprica, e o inevitável aconteceu: meu pequeno teve uma reação alérgica severa e foi para o hospital. Além de ter sofrido bastante para colher urina e retirar sangue, ainda precisou tomar uma injeção de antialérgico. Passou dias muito prostrado em casa, além do estresse que ele passou com o hospital, exames e injeção.

Tudo isso poderia ter sido evitado com um pouco de bom senso. Afinal, qual é o motivo de oferecer um pedaço de carne para uma criança que não tem dentes ainda? Mera curiosidade adulta de vê-lo “fazer careta” ao experimentar o sabor novo. Por sorte, meu filho não teve edema de glote e depois de uma semana estava bem, mas isso poderia ter sido bem diferente se a alergia tivesse sido ainda mais severa.

 

Outro ponto muito importante é que precisamos de uma vez por todas desvincular o afeto e satisfação do doce, do açúcar, das guloseimas. Precisamos acreditar que alimentação saudável também é bacana e desvinculá-la do rótulo de chatice que a colocam.

A partir dos 2 anos, a ingestão de açúcar não é mais “proibida”, alguns produtos que antes não eram recomendados já podem ser consumidos, mas não devemos deseducá-los em relação às escolhas alimentares. Os doces, frituras, produtos industrializados e outras guloseimas precisam ficar na menor frequência possível. Assim, eles poderão fazer escolhas inteligentes, e crescer para se tornarem adultos saudáveis e conscientes.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

1Pingbacks & Trackbacks on Não ofereça comida a criança se não conhece os pais

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Comment *