Recentemente, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) entrou com uma representação no Ministério Público da Infância e Juventude do Estado do Rio de Janeiro para proibir a difusão de produtos que façam apologia ao estupro, estimulem o consumo precoce de álcool e drogas e banalizem o corpo e as relações sexuais. O texto menciona produções musicais, editoriais e audiovisuais, mas direciona aos cantores de funk que andam causando polêmica pelo teor de suas letras e seus videoclipes.

Só uma das músicas acabou sendo banida do YouTube, após uma enxurrada de críticas de internautas nas redes sociais. Na letra, o cantor fala das mulheres de forma bastante depreciativa. A parte mais polêmica defende que os homens devem embriagar a garota e depois violentá-la. O vídeo com a faixa, publicado em dezembro, chegou a ter cerca de 14 milhões de visualizações no canal antes de ser apagado.

Estudante Yasmin Formiga, de João Pessoa, protestou no Facebook contra música de funk nacional

Como uma pessoa extremamente musical, eu sempre pensei sobre como a influência da música pode ser uma coisa positiva na vida das pessoas, sobretudo das crianças. Foi na música que eu encontrei abrigo e conforto nos momentos mais difíceis. Também foi com música que embalei meus momentos de vitória e alegria.

Particularmente, eu tenho estado muito decepcionada com o tipo de músicas que temos recebido, sobretudo aqui no Brasil. Colocando de lado que a qualidade musical não tem sido das melhores, temos o agravante das letras e videoclipes. Não é de hoje que as letras são extremamente ofensivas, seja às mulheres, crianças, negros, homossexuais, ou “apenas” letras que estimulam comportamentos violentos, ilegais e más condutas. Os videoclipes chegaram de forma a chocar o público – e conseguiram, mas de forma muito negativa.

No clipe de “Animals” da banda Maroon 5, a letra e as imagens mostram um perseguidor que faz de tudo para ter (a mulher) seu objeto de desejo (sexual).

Já escrevo sabendo que os pitaqueiros de plantão vão me criticar, mas eu acho sim que deveria existir algum tipo de censura. Não concordo com o tipo de cenas explícitas que exibem na televisão aberta, em horários inadequados e acho que isso atrapalha sim a formação do caráter das crianças e adolescentes.

Eu fui criada e educada com disciplina, respeito e carinho. No meu cotidiano fui ensinada que violência não leva a lugar algum, que todos temos virtudes e defeitos, mas que somos iguais perante a lei, independente de cor de pele, classe social, estado de saúde. Me foi ensinado que devemos lutar honestamente para conseguir o que desejamos.

Certa vez vi meu pai ir à padaria. Não demorou muito e ele estava de volta. Pouco tempo depois, o vi passar com pressa pela porta do meu quarto e ouvi o barulho do carro. Minha mãe ficou sem saber o que tinha acontecido. Uns 10 minutos depois, meu pai entra de novo em casa e nos explica “Fiz um lanche na padaria e me toquei que esqueci de pagar por ele! Voltei lá morto de vergonha, pedi mil desculpas e paguei pelo lanche”. Hoje, existem pessoas que provavelmente iriam deixar isso pra lá, ou até se gabar de ter “escapado ileso” de não pagar o lanche. Quando me passavam o troco errado, eu devolvia. Quando eu via dinheiro cair da bolsa de alguém, eu me apressava a pegar e ir atrás do dono. Meus pais não precisavam me dizer algumas coisas, o exemplo do comportamento correto deles era o suficiente.

Aí eu deixo a pergunta para vocês: que tipo de seres humanos estaremos formando se as músicas, filmes, novelas, séries, propagandas e muitos outros conteúdos que chegam até o público ensina que violência, objetificação, desrespeito, estupro, preconceitos, uso de drogas e álcool e a banalização da prática (precoce) de sexo são comportamentos normais e saudáveis?

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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