A crença em mitos desprovidos de comprovações científicas chama a atenção na gestação. Mais de 43% da amostra total, por exemplo, ou acredita que a mulher pode e deve consumir cerveja preta durante a gravidez e a amamentação para aumentar a produção de leite materno ou simplesmente não sabe dizer se essa crença é mesmo verdadeira. No Norte, esse porcentual ultrapassa os 59%.

Imagem: Reprodução

“A suposta ação da cerveja preta é uma crença bastante famosa no imaginário popular, mas não há nenhuma evidência científica que fundamente essa relação. Na verdade, não existe uma quantidade segura de álcool para o consumo durante a gravidez. Trata-se, sim, de uma substância que pode trazer consequências graves para o bebê, como parto prematuro, aborto, deficiências no feto e até mesmo a síndrome alcoólica fetal”, afirma Correia.

Diretora das áreas médica, científica e regulatória de Nutrição Infantil da Nestlé, a nutricionista Tamara Lazarini afirma que outro mito preocupante evidenciado pela pesquisa é a velha crença de que a gestante deveria “comer por dois”. Entre todas as entrevistadas, as respondentes do estado de São Paulo são as que mais acreditam nessa relação, considerada verdadeira por 32% das mulheres dessa localidade. Mas essa média cai para 22% quando se considera a amostra total da pesquisa, como indica a tabela abaixo:

Como você classificaria as sentenças abaixo?

Verdade

Mito

Não sei

A mulher pode e deve consumir cerveja preta durante a gravidez e durante a amamentação, para estimular a produção de leite materno.

18%

56%

25%

A mulher deve “comer por dois” durante a gravidez.

22%

73%

5%

É melhor evitar o consumo de peixe cru, comum na culinária japonesa, durante a gravidez.

62%

18%

21%

O consumo de café deve ser moderado durante a gestação.

78%

9%

13%

Comer canjica durante a gravidez ajuda a ter leite depois para amamentar o bebê.

32%

37%

31%

“Na verdade, as necessidades calóricas são individuais. E, em geral, a quantidade de calorias que a gestante ingere só deve ser aumentada após o primeiro trimestre de gestação. Mas estamos falando de um aumento de apenas 300 calorias na dieta em relação a uma mulher que não está grávida. Em vez de comer por dois, a gestante deveria, ao contrário, se atentar para o ganho excessivo de peso. Para uma mulher que apresentava um peso saudável quando engravidou, esse acréscimo durante a gestação deveria ficar entre 11,5 kg e 16 kg”, esclarece a nutricionista.

Percepções sobre alimentação saudável

Quando perguntadas sobre as mudanças positivas que a gravidez desencadeou em seus hábitos alimentares, 77% das entrevistadas afirmam que passaram a incluir mais frutas e verduras na alimentação na comparação com o padrão alimentar anterior à gestação – e esse porcentual chega a 83% em São Paulo. No Centro-Oeste e no Nordeste a redução do consumo de açúcar também se destaca: a maioria das entrevistadas diz ter adotado essa medida.

A importância dos alimentos frescos aparece novamente quando as entrevistadas apontam quais itens deveriam fazer parte da dieta habitual da gestante para uma alimentação equilibrada, de modo que 91% delas destacam a necessidade de frutas, verduras e legumes. Ainda assim, uma parte considerável da amostra, ou quase uma a cada cinco gestantes entrevistadas, identifica o peito de peru, que na verdade é um produto embutido, como um alimento saudável. Essa percepção se acentua ainda mais nas entrevistadas da classe A, grupo em que essa porcentagem passa de 25%.

Imagem: Reprodução

Em relação às carnes processadas, o mecanismo de defumação, os conservantes e o excesso de sal presente nesses alimentos podem estar associados a tumores de estômago e de intestino, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA)². “E há outras questões que chamam a atenção nesse tema. Os dados mostram também que a menor parte das gestantes identificou as nozes e castanhas como alimentos saudáveis. Porém, elas são ricas em ômega-3, um componente importante para o desenvolvimento do cérebro do bebê”, afirma Tamara. A importância dos ovos também é subestimada, especialmente na classe A, grupo em que apenas 30% das gestantes valorizam esse alimento.

Quais são os alimentos que fazem parte de uma alimentação equilibrada e deveriam estar presentes na dieta habitual da gestante? Escolha até 3 alternativas:

Amostra total

Frutas, verduras e legumes

91%

Carnes magras

71%

Nozes e castanhas

39%

Ovos

39%

Peito de Peru

19%

Barrinhas de cereal

12%

Bolacha de água e sal

8%

Suco de caixinha

5%

“Esses dados nos mostram que, por mais que a nutrição seja um assunto muito discutido atualmente, ainda existe um forte trabalho de educação sobre essa temática que precisa ser realizado no Brasil, especialmente quando estamos tratando de um momento tão singular como a gravidez. Afinal, sabemos que uma gestante bem nutrida pode proporcionar as condições ideais para o desenvolvimento de seu filho. Mas o benefício da alimentação balanceada nessa fase é duplo, pois ele também se estende para a própria saúde materna, uma vez que o cardápio saudável ajuda a reduzir os riscos de diabetes gestacional, hipertensão e outros problemas associados a essa fase”, conclui Correia.

Fontes: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Carnes processadas. Nestlé e Pfizer.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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