O Natal é uma época do ano muito especial. Para as crianças, são dias praticamente mágicos e para os adultos, são momentos de recordar histórias de família e recuperar o espírito infantil que está escondido lá no fundo da nossa alma tão sobrecarregada de responsabilidades. Ainda que nem todos o celebrem, são essas histórias que nos fazem sonhar com os dias mágicos de Natal, cheio de presentes e de momentos especiais ao lado da família.

Pra mim o Natal sempre foi um momento de encontro familiar, de expressão de bons sentimentos, de novos propósitos para o Ano Novo, e tempo de renovar a generosidade, a esperança, as fantasias e o crescimento pessoal. Desde muito criança, meus pais me diziam que eu era uma pessoa muito sortuda, porque eu tinha uma casa, comida, brinquedos, roupas, sapatos, uma família tranquila e unida que me amava muito. E aquilo era tudo verdade.

Logo, não foi nada difícil crescer com um hábito: todo mês eu ia ao supermercado fazer feira com a minha mãe. Eu tinha uma tarefa bem importante: escolheria um brinquedo novo para guardarmos. Mês era um mais voltado a meninos e mês era um voltado mais a meninas. O ano todo guardávamos os brinquedos novos, minha mãe selecionava brinquedos que eu e meus irmãos não usávamos mais e tudo junto era distribuído no Natal para crianças carentes.

As minhas melhores lembranças das festividades de final de ano nunca foram os presentes que ganhei. Ou o luxo de festas que compareci. As melhores lembranças são aquelas que eu estava com meus pais, irmãos, tios, avós e primos reunidos na sala da casa do meu avô, conversando, brincando, fazendo amigo-secreto com lembrancinhas que não custavam muito, mas que nos proporcionaram sorrisos e alegrias com aquela brincadeira e interação que dinheiro nenhum paga.

A cada ano que passa sinto que as pessoas não pensam mais assim. Mais vale o que vai vestir, quanto custa o ingresso daquela festa super chique e que só entram VIPs. O Natal e o Ano Novo se transformaram (ainda mais) num concurso de exibicionismo – quem foi às festas mais caras, quem usou a roupa mais descolada, quem ficou na balada até o amanhecer, quem bebeu champanhe até cair.

Tenho consciência de que o Natal é importante em algumas religiões, embora não vá entrar nesse assunto aqui. Mas mesmo que não fosse, ainda é uma oportunidade que vem sendo perdida pela sociedade de deixar para trás orgulhos gordos e dar lugar a perdões que libertam, abraços que curam e sorrisos que acalmam.

Me vi esses dias perguntando ao meu filho o que ele queria ganhar do Papai Noel. E ele não pediu nada caro, como pensei. Ele pediu um brinquedo simples, barato e que ele já tinha em casa. Questionei o motivo dessa decisão. A resposta dele me deixou com o coração cheio de amor: “Mamãe, já tenho muitos brinquedos. Vovó me deu um sapato. Bisa me deu uma sandália nova. Então se eu tiver dois brinquedos desse, vou ter um pra emprestar pra algum coleguinha que não tem e podemos brincar juntos pra deixar o Natal dele feliz”.

Mesmo com um pouco de nostalgia melancólica, eu consegui sentir que os verdadeiros valores ainda vivem. Quem sabe, daqui a alguns anos ele possa ter as mesmas lembranças boas que eu tenho dos finais de ano em família? Uma pessoa (pode) deve sonhar…

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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