Meu filho sempre foi uma criança super saudável. Passou pela fase de estar sempre gripado quando entrou na escola, mas nunca havia tido nenhum problema de saúde grave. Até que, aos 4 anos, enquanto dormia, ele convulsionou.

A maioria das convulsões na infância acontecem por estado febril ou excesso de açúcar no sangue. Mas nesse caso, os exames deram todos normais e meu filho não estava com febre – sequer estava doente! Como toda mãe (inclusive de primeira viagem), eu passei meses sem dormir. À princípio, a neuropediatra acreditou que fosse um caso isolado, e após 1 ano, fizemos o desmame da medicação – o que o levou a voltar a ter crise. Levamos 5 anos até conseguirmos ter o diagnóstico definitivo para as crises convulsivas.

“A epilepsia focal benigna da infância com descargas centrotemporais (EFCT) também conhecida como epilepsia rolândica (ER) é a forma mais comum de epilepsia da infância, e representa aproximadamente 15 a 20% de todas as epilepsias na criança menor que 15 anos e 24% daquelas entre 5 e 14 anos. A EFCT é uma síndrome epiléptica caracterizada por crises motoras hemifaciais breves, simples, parciais, freqüentemente associadas a sintomas somatossensitivos, que tendem a evoluir secundariamente para crises tônico-clônicas generalizadas, e relacionadas ao sono. O início das manifestações epilépticas ocorre entre 3 e 13 anos de idade, com o maior pico de incidência entre 9 e 10 anos, e a remissão ocorre antes dos 16 anos. Existe forte predisposição genética, com presença de discreto predomínio do sexo masculino.

As crises em geral são focais simples, associadas ao sono, envolvendo a região orofacial (língua, lábios, cavidade oral, garganta e face). As manifestações podem ser motoras e/ou sensitivas, em 80% dos casos, com ou sem generalização secundária. As crises costumam ser breves, 1 a 5 minutos, em 62% dos casos, pouco freqüentes, e em um quarto dos pacientes a crise é única e metade dos pacientes apresentam até cinco crises durante toda evolução da doença, enquanto apenas 8% tem 20 ou mais crises.

A presença de déficits neurológicos ou psicológicos não faz parte dos critérios clínicos, mas recentemente muitos estudos têm revelado anormalidade nos testes neuropsicológicos destas crianças. As alterações mais freqüentemente descritas são: comprometimento cognitivo transitório durante as descargas eletrográficas “subclínicas”; déficit de atenção e do processamento da informação vísuoespacial; rebaixamento do nível de inteligência, memória de fixação, percepção visual, comportamento e desempenho motor fino. Comprometimento da linguagem, da fala e da praxia oral também foram observadas nos pacientes com EFCT.

A descarga epiléptica presente na EFCT é ativada pelo sono, principalmente nos estágios 3 e 4, sendo que em 30% dos pacientes elas ocorrem somente durante o sono não-REM.

A EFCT costuma ter boa evolução, sem deixar qualquer seqüela, mas os transtornos cognitivos que eventualmente cursam durante etapa crucial do desenvolvimento da criança e por tempo relativamente prolongado podem se transformar em disfunções importantes.”

O primeiro conselho que posso dar é: mantenha-se calma. Por experiência própria, sei que é difícil, mas estar concentrado em agir da forma correta é muito importante para que a criança se sinta segura. Eles não entendem o que aconteceu, não têm ainda maturidade para lidar com a situação e buscam nos pais a confiança diante de um susto como esse. Por mais que eu estivesse apavorada com a possibilidade dele voltar a ter uma crise ao adormecer, foi necessário demonstrar confiança que isso não aconteceria – que ali ele estava em segurança.

O segundo conselho é: procure um bom profissional de neurologia infantil. Converse bastante com ele, com o pediatra que acompanha a criança desde o nascimento, tire suas dúvidas e entrem em um acordo em relação ao melhor tratamento para a criança.

Por último e não menos importante, confie que tudo vai ficar bem.

Material didático sobre epilepsia: Carmen Silvia Molleis Galego Miziara (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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