Para saber o que sentem e desejam, CRESCER fez uma pesquisa pela internet com mais de 5 mil mães que trabalham, acompanhou a rotina de três famílias e entrevistou outras dezenas de mulheres, além de pais, especialistas, empresários e os ministros do Trabalho, Carlos Lupi; da Previdência Social, Garibaldi Alves Filho; e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. A discussão parece antiga, mas está mais do que viva no universo feminino
Ilustração Alessandra KalkoA apresentadora Angélica ficou apenas dois meses de licença-maternidade e, apesar de poder levar Joaquim para amamentar e de ser uma mãe que trabalha bem resolvida, ela confessa que se sentiu culpada. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, passou seis meses afastada do trabalho e quando deixou João Augusto no berçário pela primeira vez, desmoronou. “Passei por todos os dramas, chorei, me perguntei o que estava fazendo, enfim…” Foi difícil. Como foi para a estilista Fernanda Franken, que, após quatro meses de licença quando Davi nasceu, trabalhou quase um ano e decidiu que era hora de trocar de emprego. Pediu demissão da empresa e acabou montando, aos poucos e no seu tempo, sua própria confecção, em casa.
Se a grande maioria das mães que trabalha fora se sente culpada e queria mais tempo ao lado dos filhos, é na hora de deixar o bebê pela primeira vez e retornar ao emprego que essa culpa atinge seu ápice. OK, a gente sabia que esse momento chegaria – a pesquisa que CRESCER fez com 5.009 mulheres que são mães e profissionais revelou que 56% delas levaram em conta a carreira quando decidiram engravidar, mas mostrou também que 72% sentem culpa justamente por trabalhar fora. Afinal, por que a gente se sente assim?
Se formos simplificar bem, ficamos culpadas porque ainda temos como ideal o modelo antigo da maternidade, no qual a mulher cuidava da casa e dos filhos (e de si mesma) de maneira impecável e estava sempre muito perto da perfeição. Por querermos, hoje, atingir essa perfeição e ainda ter uma carreira de sucesso (afinal, se a Angelina Jolie dá conta…), nos sentimos sobrecarregadas, muitas vezes exaustas e, a cada dia, vamos acumulando funções. Claro que, ao tentar cumprir todos esses papéis, descobrimos que vivemos sem tempo e, infelizmente, não dá para esticá-lo.
.Editora Globo
Então, cansadas e culpadas, se alguém nos perguntar de imediato se querermos deixar de trabalhar, a resposta tende a ser sim! Mas, poucos minutos depois, a gente pensa melhor e descobre que talvez não seria feliz se não trabalhasse fora. Assim como não gostaríamos nem um pouco se nossos filhos acordassem de madrugada choramingando “papai, vem aqui…”, em vez de “mamãe”. É, somos geralmente mais rápidas, eficientes, organizadas, etc., etc., etc. (pesquisa da Universidade Tufts, nos EUA, mostrou que o comportamento maternal estimula a criação de novos neurônios em fêmeas de ovelhas e que o mesmo pode ocorrer em seres humanos!), mas também somos controladoras e gostamos desse “poder” que temos de sermos mães, profissionais e mulheres independentes. Ufa! Quanta coisa em um parágrafo, não é? Vamos por partes. 
Cíntia Marcucci, Daniela Tófoli e Fernanda Carpegiani. Ilustrações Alessandra Kalko
Do Site da Revista Crescer

Mãe de Aécio e esposa de Renato, publicitária, especialista em Criação Visual e Multimídia, trabalha com marketing e comunicação e, além do Mãe do Ano, é responsável pelo Roteiro Baby JP, que divulga a programação infantil de João Pessoa, é presidente da Associação das Mulheres empreendedoras da Paraíba, tem uma banda de músicas infantis - a Catavento Colorido - e desenvolve atividades para crianças através da Colmeia Projetos Criativos.

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