O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro publicou no último dia 19 uma resolução que proíbe mulheres de contarem com a assistência de obstetrizes, doulas e parteiras em hospitais maternidades, assim como, outra resolução que proíbe e pune médicos-obstetras que acompanhem partos domiciliares, ou ainda, aqueles que deem retaguarda para parturientes com necessidade de remoção do parto em casa para o hospital.

Organizações Não-Governamentais, representantes de movimentos sociais e mulheres de todo o Brasil estão se manifestando em repúdio às resoluções através das redes sociais e planejando realizar um movimento para chamar a atenção da sociedade civil para a questão da Humanização do Parto.

Frente à realidade do Parto no Brasil e com o intuito de trazer esclarecimentos para as mulheres gestantes sobre seus direitos em relação à escolha do parto e, principalmente, à adoção de condutas de humanização do Parto e do Nascimento, acontece neste domingo, dia 5 de agosto, em vários estados do país, a Marcha pela Humanização do Parto. Em João Pessoa, a manifestação inicia com concentração às 15h30 na Praia de Tambaú, em frente à lanchonete Bob´s e segue em passeata até o Busto de Tamandaré, na Praia de Cabo Branco.

O Brasil ocupa o primeiro lugar no mundo em realização de cesarianas. As taxas desse tipo de cirurgia chegam a 52%, superando os 80% em hospitais privados, e em alguns destes chega a ultrapassar os 90%. Em grande parte dos casos, a mulher é submetida ao procedimento sem uma real indicação clínica, apesar de a taxa máxima recomendada pela OMS ser de 15%. Em João Pessoa, no ano de 2011, o percentual de cesarianas chegou a 96,9% na rede particular, segundo a Secretaria de Saúde Municipal.

Diversos estudos demonstram que as consideradas altíssimas taxas de cesáreas em hospitais brasileiros não ocorrem a pedido das mulheres, uma vez que a maior parte delas continua demonstrando preferência por parto normal, sendo conduzidas no decorrer da gestação a mudarem de opinião ou acreditarem ser incapazes de parir.

Diante da possibilidade de se conseguir um parto normal hospitalar, rotineiramente a mulher é sujeita a um conjunto de ameaças de violência por parte da equipe de saúde. São comentários agressivos, exames de toque em excesso, a indução por medicamentos que torna o parto ainda mais doloroso, a episiotomia (corte na vagina) de rotina, dentre outras intervenções que podem tornar negativa a experiência do parto, gerando transtornos físicos e psicológicos.

Reivindicações da Marcha

• Que a mulher tenha o direito de escolher como, com quem e onde deve parir;
• A criação de Casas de Parto em João Pessoa;
• A adequação dos hospitais para a realização de partos normais em Salas de Parto e não em Blocos Cirúrgicos – por questões de conforto e assepsia.
• O cumprimento da Lei 11.108, de abril de 2005, que garante que a mulher tenha preservado o direito ao acompanhante que ela desejar na sala de parto – o que hoje não ocorre em diversas maternidades em nossa capital;
• Que a mulher possa ter o direito de acompanhamento de uma doula em seu trabalho de parto e parto – de acordo com a recomendação da OMS;
• Que a mulher, sendo gestante de baixo risco, tenha o direito de optar por um parto domiciliar planejado e seguro, com equipe médica em retaguarda caso necessite ou deseje assistência hospitalar durante o trabalho de parto;
• Que a mulher tenha o direito de se movimentar livremente para encontrar as posições mais apropriadas e confortáveis durante seu trabalho de parto e parto;
• Que a mulher possa ter acesso a métodos naturais de alívio de dor durante o trabalho de parto, que consistem em: massagens, banho quente, compressa, etc;
• Um basta em relação à violência obstétrica e intervenções desnecessárias que consistem em: comentários agressivos (piadinhas e ameaças), direcionamento de puxos, exames de toque em demasia, episiotomia (corte na vagina), etc;
• Que haja fiscalização das altas taxas de cesáreas nas maternidades brasileiras e que as ações cabíveis sejam tomadas no sentido de reduzir essas taxas;
• Que haja humanização também na assistência aos recém-nascidos, contra as intervenções de rotina, bem como um tratamento humanizado nas UTIs neonatais de João Pessoa – na nossa capital há maternidades onde até mesmo a presença da mãe é restringida a visitas de meia hora/turno, contrariando as recomendações da OMS e Ministério da Saúde;
• Que a mulher que optar pelo parto domiciliar tenha direito ao acompanhamento pediátrico caso deseje ou seja necessário.

Data: 5 de agosto, domingo, às 15h30
Local: Concentração na Praia de Tambaú, em frente à lanchonete Bob´s e seguindo em passeata até o Busto de Tamandaré, na Praia de Cabo Branco.

Contribuição do leitor. Saiba como participar do blog: http://www.maedoano.com.br/participe-do-blog/

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