Sabe quando estamos naquele dia de cansaço, de tristeza ou de completa euforia com alguma novidade e não conseguimos comer nada? Pois é, imagine isso multiplicado por 10. É mais ou menos como a criança se sente em relação à alimentação.

Começa cedo. Por volta por 6 meses, justo quando a alimentação começa a ser introduzida na rotina dos bebês, junto com aquela agonia dos dentinhos. A criança baba um monte, às vezes tem febre, coriza, não sabe ainda o que fazer com aquela comida “estranha” na boca, não se habitua de imediato aos novos sabores e aí vem a tão temida rejeição.

Imagem: Google
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No consultório e na escola, as preocupações são geralmente as mesmas: Com tanta recusa, só o leite é suficiente? Meu filho não vai perder peso, ficar desnutrido? Por que ele não quer comer? Ele cospe porque não gostou?

A primeira coisa que costumo dizer é: a recusa não significa que ele não gostou daquele alimento, apenas que ainda não se acostumou com sua textura ainda. A segunda que vem em mente é: mantenham a calma. A fase dos 6 meses a 1 ano é de muitas mudanças para as crianças, e não só alimentar, mas na rotina como um todo. Elas sentam sozinhas, engatinham, aprendem a brincar, reagem mais aos estímulos das pessoas ao seu redor, aprendem a andar, nascem alguns dentes. Tudo isso se torna uma enorme distração e às vezes até uma tormenta para as crianças e influencia diretamente na sua alimentação. O humor delas oscila e, como nós adultos, as crianças às vezes não querem nem ver comida perto delas. Às vezes a criança pode não ganhar muito peso nessa fase ou até perder um pouco. Isso não significa que ela vá ficar desnutrida. Não custa nada ficar de olho, e caso haja uma perda de peso muito rápida ou significativa, procure um nutricionista para uma avaliação e orientação bem detalhada do caso do seu filhote. Isso é muito incomum, mas sou da turma do “melhor prevenir do que remediar”, tá?

Prosseguindo, aí vêm as outras perguntas: devo dar comida triturada? Devo dar a comida mesmo que ele não queira? Devo dar mais mamadeiras de leite? Amamentar o dia todo é suficiente?

A conduta é persistir, mas nunca insistir ao ponto de dar à força. A criança vai se acostumar com a textura da comida lentamente, e com o tempo, naturalmente vai mostrar o que gosta e não gosta de verdade. Nessa faixa etária, todas cospem comida aos montes! Mas ao insistir demais, a criança pode desenvolver uma aversão muito grande à comida, relacioná-la com algo que é negativo e então passar a sofrer na hora da alimentação – o que coloca estresse sobre a criança e os pais. Evite triturar os alimentos, pois além da perda de fibras, a criança não exercita os grupos musculares da mandíbula, que é algo essencial para que elas aceitem novas texturas no futuro. A amamentação pode continuar tranquilamente, e essa ou o leite artificial deverão ser administrados de modo que a criança não apresente estresse por falta de comida, para manter o seu ganho de peso normal. Mas que a nova alimentação introduzida não seja extinta ou substituída apenas pelo leite caso haja uma rejeição inicial, pois ela é essencial para os bebês nessa fase, ajuda bastante no fortalecimento seu sistema imunológico.

Imagem: Google
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Comece devagar. Sucos de fruta sem açúcar, frutas amassadinhas ou raspadinhas nos lanches, papinhas e sopinhas naturais, feitas com pouco tempero e quase nada de sal no almoço e jantar, apenas para suprir a necessidade nutricional, o desenvolvimento e a evolução sensorial da criança. Se mantém assim até os 9 meses, quando a dieta passa a ser parecida com a dieta da casa, só que amassadinha.

A partir de um ano a criança já começa a comer mais livremente. Mas isso… é assunto para o próximo post.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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