Percebo muito uma frase que meu filho costuma dizer, sobretudo no período de férias: “mamãe, quero comer”. Diante disso, eu me vejo no papel de nutricionista e educadora nutricional, além do papel de mãe. Passei a perguntá-lo: “você está com fome ou com vontade de comer?”.

Nem sempre que bate aquela “fome” no meio do dia, você está verdadeiramente com fome. Muitas vezes, é apenas uma vontade praticamente incontrolável de comer, que pode ser motivada por: tédio, estresse, ansiedade, tristeza, frustração, euforia ou apenas força do hábito.

De forma cultural, nós comemos mais do que nosso corpo precisa para funcionar bem. E, nessa busca incessante por conforto através da comida, é onde mora o risco para o aumento de peso.

Todos nascemos com um organismo que indica quando está com fome e quando está saciado. Quando bebês, por exemplo, choramos ao sentir o incômodo da fome. Quando estamos satisfeitos, rejeitamos o leite. O problema é que, com o passar dos anos, a rotina e a correria do dia a dia nos faz perder esse relógio natural. Por isso é tão difícil saber quando realmente estamos com fome, ou quando só queremos descontar alguma questão emocional na comida.

Fome orgânica

A fome orgânica é a fome verdadeira e fisiológica. É aquela que aparece como sinal para o corpo recarregar os estoques de energia. Algumas pessoas sentem dor de cabeça, vazio no estômago (a famosa barriga roncando), tontura, apresentam impaciência ou mau humor. Além dos sinais, a fome fisiológica aparece de forma gradual, não repentina, e normalmente dá vontade de comer uma refeição completa, não um alimento específico.

Fome emocional

Ela é gerada por uma série de fatores emocionais que nos fazem pensar em comida e comer compulsivamente, ato que muitas vezes é acompanhado de um profundo sentimento de culpa. Normalmente vem de uma forma urgente e está ligada a um alimento confortante, como um doce, um pão – carboidratos em geral. Além disso, a pessoa que come com emoções não consegue parar tão facilmente, mesmo estando saciada.

Outros tipos de fome

Além da fisiológica e da emocional, alguns outros hábitos e pensamentos contribuem para uma alimentação exagerada.

Existe a fome do hábito, que é programada. Se você por exemplo come sempre ao meio-dia, vai reclamar se passar um pouco desse horário. Mesmo não estando com fome, vai buscar o alimento por causa da rotina.

Outra pegadinha é confundir fome com sede. Quando não estamos hidratados, buscamos alimentos para suprir a necessidade de água.

Também existe a famosa fome por recompensa, que entra em ação quando temos um dia cansativo e achamos que “merecemos” um afago. Não que seja um grande problema comer uma refeição mais calórica de vez em quando, o problema é isso se torna uma rotina.

Outra falsa fome aparece quando associamos o prazer do lazer com o prazer da comida. Por exemplo, aquela pipoca que não pode faltar quando se assiste a um filme no cinema, ou aquele petisco que te acompanha nas maratonas de séries.

Então vale ficar atento para não cair nas armadilhas das fomes!

 

Conteúdo adaptado de Huffpost Brasil.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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