Entenda o “chiado no peito” do bebê (Bebê chiador)

A presença de “chiado no peito” (que sugere obstrução das vias aéreas inferiores), é frequente em crianças menores de cinco anos. As infecções virais (por rinovírus, vírus sincicial respiratório, entre outros) são as causas mais comuns na primeira infância. A predominância desses sintomas em países desenvolvidos é relatada em 30% das crianças e parece ser mais alta em países em desenvolvimento. Apesar da alta prevalência, 60% das crianças não apresentam mais sintomas após os seis anos de idade.

Segundo a Dra. Priscilla Filippo, alergista, “Várias pesquisas foram realizadas nos últimos anos com o objetivo de reconhecer os fatores de risco para “chiado no peito” (sibilância) e identificar quais as crianças desenvolverão asma”.

As crianças que apresentam recorrências desses sintomas têm uma diminuição da qualidade de vida (interferindo no sono e no apetite), visitas frequentes aos consultórios médicos e emergências, além de um custo elevado para os familiares e instituições públicas e privadas.

O “chiado no peito” é um sintoma multifatorial, que em crianças pequenas pode significar uma bronquiolite ou uma apresentação precoce de asma. Outras causas podem ser: anormalidades anatômicas congênitas, refluxo gastroesofágico, aspiração de corpo estranho, outras doenças pulmonares e cardíacas etc.

Fatores de risco associados ao “chiado no peito” e à asma na infância:

Fatores genéticos

“Vários estudos sugerem que a asma é multifatorial e ocorre pela interação de fatores genéticos e ambientais. Crianças com histórico familiar de alergia têm maior chance de apresentar sibilância”, explica a alergista.

Fatores ambientais e exposições

Fatores como mudanças climáticas, ambientes fechados com aglomeração de pessoas, exposição à poluição, fumaça de cigarro e a aeroalérgenos (ácaros, fungos, pelos de animais, baratas) são importantes nas exacerbações de asma e talvez possam ter um papel no desenvolvimento desta (dependendo da idade de exposição, do tempo de exposição e da sensibilização). Existem evidências que a exposição à fumaça de cigarro durante a gestação aumenta o risco de asma na infância.

Infecções virais

A associação de sibilância e infecções de vias aéreas superiores e inferiores é bem estabelecida. Durante a infecção viral, pode haver lesão do epitélio das vias aéreas, levando à inflamação e estimulando a reação imunológica e a resposta exacerbada dos brônquios (hiper-reatividade brônquica).

Frequência à creche

O contato com outras crianças favorece a exposição precoce aos agentes infecciosos levando à sibilância transitória em crianças pequenas sem predisposição para o desenvolvimento de asma, mas também desencadeando o quadro de “chiado no peito” nos prováveis asmáticos.

Aleitamento materno

É universalmente recomendado e tem sido proposto na prevenção do risco de doenças alérgicas.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de sibilância é baseado na história clínica, exame físico e exames complementares, quando necessários.

Para finalizar, a Dra. Priscilla Filippo orienta: “O tratamento deve ser individualizado e baseado na fisiopatologia de cada grupo. Para mais orientações, procure um especialista em alergia e imunologia“.

Fontes: Early childhood wheezers: identifying asthma in later life. Anayansi et al. J Asthma Allergy. 2015;8:63-73.

Lactente sibilante: prevalência e fatores de risco. Dela Bianca et. al. Rev.Bras. alerg. Imunopatol. Vol.33, no. 2, 2010.

Filho da Tania, estudante de Publicidade e Propaganda, ator e apaixonado por assuntos ligados à saúde e bem-estar. Divide seu tempo entre a faculdade, estágio e às publicações do blog.

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