O período entre os nove e os dez anos é provavelmente a mudança mais importante na infância, e talvez na vida. A criança apresenta sua primeira crise (de solidão) – com maior ou menor intensidade, de maneira perceptível ou não, mas acontece.

Não vemos mais com tanta frequência os olhos alegres, inquietos e brilhantes, mas sim um olhar diferente, com um tom de melancolia. Nessa idade, podem acontecer pesadelos e a criança frequentemente reclama de sintomas físicos, como dores de cabeça e de estômago, algumas com agressividade e sentimento de revolta perante a vida. Caso a criança apresente uma tendência a roer as unhas, chupar os dedos ou algum tique nervoso, significa que ela não está conseguindo se expandir de modo adequado. É um sinal claro de que ela está se contendo, ou vivendo algum período de tensão. Desnecessário mencionar a importância do apoio, atenção e amor dos pais nessa fase.

Estatisticamente, é a fase que mais sofrem acidentes sérios, pois a tentativa de se expandirem é liberada nos jogos violentos e nas correrias desenfreadas. É um excelente momento para que os pais comecem a introduzir a mesada. Pois, é uma fase que pedem em demasia, então, já podem começar a ter noção do gasto com o dinheiro. Assim, quando a mesada terminar, saberão e entenderão bem os pais, quando os ouvirem dizer que o dinheiro deles acabou, e que agora, só no mês seguinte.

É também a transição da vida em que a inocência da infância é quebrada. O medo da morte ganha uma presença real, assim como as noções do bem e o mal. Nesse momento é importante que os pais passem noções de espiritualidade. Seja qual for sua religião, expor as crianças à beleza da natureza e à sua força pode trazer o conforto e a calmaria que elas precisam.

Alguns pais que desconhecem este processo pelo qual seu filho está passando, ficam desorientados e preocupados. Como podemos ajudar a criança a sair de seu quarto escuro?

Não vá longe demais nos seus questionamentos com a criança (O que você está sentindo? Porque está assim?). Isso a fará mergulhar ainda mais para aquele quarto escuro dentro de si mesma e ela poderá ficar insegura ou deprimida. Deixe-a à vontade, algumas crianças apresentam interesse por algo nessa idade, uma fuga ou forma de extravasar o que sentem internamente, e usam esse “hobbie” como terapia. Exercícios físicos, como esportes, danças e outros ajudam muito a drenar o excesso de sentimentos e emoções que essa fase apresenta.

Nós, pais, precisamos ser os maestros do equilíbrio dos nossos filhos. Dar mais aquilo que importa e/ou pode estar em falta (amor, atenção, carinho, compreensão, diálogo, disciplina) e tirar os excessos que não fazem tanta diferença na formação emocional da criança (de forma geral, bens materiais, o famoso “fazer muito os gostos” e estragos excessivos). Em todas as fases, mas principalmente nessa.

É importante reconhecer que a criança nessa idade precisa ainda mais de bons exemplos, porque são eles que vão formar seu caráter. O senso crítico nessa idade está mais acentuado e, portanto, os pais precisam ser coerentes com as punições e recompensas para não confundir a cabeça da criança.

Formar uma família, educar seres humanos, é um processo contínuo e exige trabalho. Se por um lado, eles estão muito independentes fisicamente com 9 anos, talvez seja uma das fases onde eles mais precisam de cuidados nos níveis emocionais e espirituais. Aos 10, uma série de outras características surgem, mas até lá, façamos os 9 serem mais leves pra nós – mas especialmente, pra eles.

 

Conteúdo escrito com base em textos de Cris Leão e Marilena Teixeira Netto.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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