Muitas pessoas não compreendem qual a origem desse dia que hoje é tão “festivo”. Mas não foi sempre assim, e nós mulheres sabemos disso. Em 8 de Março de 1857, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morreram queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade. Em 8 de Março de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e trabalho. Os protestos foram brutalmente reprimidos.

Apenas no ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, religiosas, culturais, econômicas ou políticas.

No Brasil, os direitos das mulheres vieram suados. É ultrajante perceber que até 1827, nós mulheres não podíamos aprender a ler e escrever; estudar em instituições de ensino superior só foi direito nosso a partir de 1879 – e as que iam por esse caminho, eram extremamente criticadas pela sociedade. O voto feminino aconteceu pela primeira vez em 1928, mas todos os votos femininos foram anulados e só nos foi liberado como direito a partir de 1932. Até 1965, praticar esportes dados como “masculinos”, como luta, futebol, pólo, halterofilismo e beisebol, era proibido para as mulheres.

Em 1951, foi aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração de trabalho masculino e feminino para um mesmo cargo. E até hoje, ainda temos dois profissionais de mesmo cargo, num mesmo empregador, e a mulher recebe bem menos que o homem. As mulheres permaneciam em casamentos falidos, pois precisavam de autorização dos maridos para trabalhar, receber heranças e caso houvesse separação, não podiam requerer a guarda dos filhos. Isso só mudou em 1962.

As décadas de 70, 80 e 90 foram marcadas pela criação de conselhos, delegacias, programas de atenção à saúde e centros de autodefesa, para coibir a violência doméstica contra a mulher, culminando na Lei Maria da Penha, em 2006.

Só sabe a luta quem está na nossa pele. Não somos super mulheres porque andamos de salto, maquiadas e arrumadas. Somos super mulheres porque vamos atrás de igualdade de direitos, porque nós escolhemos trabalhar, porque não aceitamos ser dependentes de homens nem de outras pessoas para viver. Somos super mulheres porque conseguimos cuidar da casa, dos filhos e do trabalho. Somos super mulheres porque nos dedicamos de corpo, alma e coração ao que fazemos, e isso faz de nós seres humanos extremamente competentes, esforçadas, inteligentes.

Nós não deveríamos criar e educar nossos filhos sozinhas, não deveríamos ter que trabalhar em dobro para impressionar nosso chefe ou ganhar espaço no mercado de trabalho. Não deveríamos ter que recorrer a uma delegacia ou a um programa de autodefesa para não sermos agredidas, não deveríamos ser discriminadas no trânsito, nos esportes, nem tampouco deveríamos andar com medo da violência contra a mulher na rua, no trabalho, na academia…

E no entanto, somos fortes o suficiente para conseguir formar nossos filhos sozinhas – e como cidadãos do bem. Nós nos destacamos em cargos antes masculinos, entregamos melhores resultados, e continuamos sim, com cuidado, andando na rua, no trabalho, na academia e no trânsito, encarando a vida, mesmo cheia de preconceitos, com garra e coragem. E por isso somos e continuaremos a ser Super Mulheres.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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