EU E MAROCA -

Sempre pensei e sentia-me completa. Nunca dependi emocionalmente de ninguém. Poucas vezes, chorei por amor, e quando o fiz, não foi por falta, mas por raiva de ter perdido tempo. Engraçado como as coisas mudam… Hoje, percebo, o quanto sou dependente emocionalmente de um serzinho que não chega à minha cintura. Bastou ela adoecer e eu perder o prumo, me desorganizar toda. Como pode? Eu, uma mulher feita. Mas, sou mãe, mãe é coração batendo fora do peito mesmo (parece clichê, eu sei.), mas é real demais. Ver minha filha sofrendo, sentindo-se incomodada me causou uma dor, uma angustia que nunca tinha experimentado na minha vida. É impressionante como eu pertenço a ela, sou dependente dela e não o contrário como sempre achei.

Sou sempre tão auto-suficiente, independente, otimista, centrada… Desde que a minha outra parte esteja bem, pois sou dividida, não somos univitelinas, mas somos ligadas desde a barriga, talvez até bem antes. Só sei que eu preciso vê-la feliz, não importa se para isso a minha casa esteja de cabeça para baixo, prefiro a casa à vida. Ela me desintoxica das impurezas da vida, me dá novo ar.

Ela pra mim é a certeza de um dia com sorrisos, certeza de bom humor, de ausência de rotina. Ela pra mim é descoberta, novidades. É me emocionar com um abraço. É inventar musiquinhas sem sentido. É ter o sono leve, o banho rápido e a maquiagem borrada. É torcer para que o sono chegue e sentir saudades depois de dez minutos. É investigar o silencio. É preferir a traquinagem à letargia. É viver de quatro apanhando objetos pelo chão. É perder o lugar na cama, o colo do marido, o primeiro beijo do encontro, mas é ganhar a oportunidade de sentir o maior amor que já se viu ou sentiu. É a certeza do divino. É a certeza de se tornar melhor. É beijo babado. É nunca sair limpa. É vida. Ela pra mim é muito mais do que cabe em mim.

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente.
É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada.
Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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