Muitas pessoas prestam tanta atenção aos pontos diretamente financeiros da crise econômica que esquecem de olhar um aspecto igualmente afetado (até há mais tempo do que o início da crise econômica, na minha opinião), porém de relevância muito maior: a educação.

Ser professor no Brasil está cada dia mais difícil, tanto pela cobrança que acontece pela formação dos cidadãos, quanto pelo nível que os alunos estão apresentando em sala de aula, seja no lado didático, seja no lado comportamental. Numa profissão em que professores acabam por receber ameaças, de alunos ou pais, de supervisores, coordenadores e diretores, e trabalham em escolas de bairros com um alto índice de violência, isso pode gerar problemas gravíssimos para os educadores (para ler sobre a síndrome de Burnout, clique aqui).
Não é nenhuma novidade que a rede de ensino pública brasileira está cheia de professores que, insatisfeitos com seus baixos salários e sobrecarregados com múltiplas turmas de centenas de alunos, para alcançar estabilidade financeira tornam-se profissionais incompletos, cansados, desgostosos com sua profissão, sem paciência, e por muitas vezes, extremamente indelicados.
E quando se trata de um professor com bom salário, estabilidade financeira, cargas horárias mais maleáveis. O que leva alguém com tão alto grau de instrução a proferir tamanha falta de respeito, grosseria e até humilhação a seus subordinados e alunos? Eu lhes respondo esta pergunta com uma humilde opinião: porque nem todo mundo que é instruído é educado. Hoje em dia as pessoas estão misturando os conceitos e confundindo instrução com educação.
Uma pessoa instruída tem conhecimentos dentro de uma certa área ou habilidade. Por exemplo, alguém formado em Direito pode saber todas as leis e advogar de maneira impecável, mas pode também usar de seus conhecimentos jurídicos para difamar, caluniar e humilhar alguém. Ironicamente, isso além de uma tremenda falta de respeito (e educação!), é também crime. A instrução se aprende na escola, na universidade.
Uma pessoa educada tem um certo desenvolvimento moral. Trata a todos com polidez, civilidade, cortesia, delicadeza e como iguais, afinal somos todos seres humanos. Temos o dever de tratar as pessoas com respeito, gostemos delas ou não. Se vamos discordar, não custa nada argumentar de forma coerente e educada. E isso se aprende em casa.
A verdade é que existe uma falha na nossa sociedade em relação a educação (doméstica). Não posso falar por todos, mas numa rotina em que os pais ficam mais tempo em seus empregos do que na companhia dos seus filhos, quem garante que essas crianças estão sendo expostas à educação e aos valores que vão, por exemplo, os ensinar que devemos ter respeito pelos nossos professores?
Não está na hora de tentar encontrar uma solução? Alguém compartilha da opinião de que enquanto nenhuma providência for tomada, nossas crianças e adolescentes estarão apresentando comportamentos inadmissíveis em sala de aula (e na vida) e, por consequência, sendo instruídos por profissionais desmotivados (pela má remuneração, falta de valorização e respeito) e acomodados que, apesar de altamente competentes, estão tomados pelo cansaço e desesperança na profissão?
Em casa, é necessário refletir e rever conceitos e atitudes. E que o sistema de educação brasileiro também faça isso. Pois os jovens mal-educados e mal instruídos de hoje serão os líderes de amanhã. O que nossa sociedade precisa é que os pais mimem menos e eduquem mais, para que os professores possam fazer o trabalho deles, que é instruir os seus alunos de forma a desenvolver neles a capacidade de evoluir didática e pessoalmente.
A educação e a instrução devem andar lado a lado – os pais fazendo seu papel em casa e os professores o deles na escola.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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