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Tenho uma filha, Maria Paula, de 1 ano e 11 meses, e geralmente, ela fica com a tia e a avó para eu e o pai trabalharmos. Só que este ano, resolvi deixar ela numa escolinha, pensando no contato com outras crianças, socialização, essas coisas. Visitei alguns colégios, e conversando com a coordenadora pedagógica de um deles, ela me informou que havia no colégio outras atividades para minha filha, atividades que segundo ela, potencializaria o aprendizado, a inteligência, o desenvolvimento da pequena. Tomei um susto! Potencializar o aprendizado?? Vão dá adubo mental a pobrezinha. Fiquei até imaginando ela no primeiro dia de aula (que eu achava que seria apenas uma recreação), trazendo como tarefa de casa, a tabela periódica. Brincadeiras à parte, mas isso me levou a uma conclusão: Não quero potencializar as capacidades de minha filha já visando que ela seja bem sucedida na vida adulta. Não tenho uma visão utilitarista assim, a ponto de querer aproveitar cada brincadeira dela para introduzir conhecimento, estimular aptidões… Acredito que criança precise brinca espontaneamente, ludicamente, por que não com caixas, capas, bonecos, areia, bola?? É claro que não sou contra os brinquedinhos educativos, não sou, uso muitos.  E é claro que quero e me empenharei para que ela tenha boas oportunidades na vida, a começar pela educação, mas no tempo certo e da maneira certa. Não acredito em extremos. Não acredito que encher uma criança de atividades, transformá-la em um adulto em miniatura seja correto, só estaríamos roubando o que mais valioso há nessa fase, o ser criança.

O problema é que muitas vezes, nos preocupamos com o futuro demais, com os padrões demais. A criança tem que ser magra para atender os padrões e não ser discriminadas na escola, na sociedade, na própria família, então, tome esportes. Não pode ter gordurinha, mas fica livre para comer “fast food” entre uma atividade e outra, porque a pressa é tanta que não há tempo para comer uma refeição saudável e tranqüila, vai o sanduba dentro do carro mesmo. A criança tem que saber tocar um instrumento musical, ter gosto refinando, então, tome aula de violão, piano, violino, do ré mi, qualquer coisa serve… Hoje em dia, só os melhores sobrevivem, então tome, cursos extras. Idioma?? Um só é pouco, vai o inglês, o espanhol, o francês, chinês, o dialeto da tribo do norte, do norte da África… E tecnologia? Tem que ter curso de robótica, de sustentabilidade, de energia renovável, a criança tem que ter potencial para em caso de solicitação da Nasa, está apta para comandar uma nave espacial e salvar o mundo. Mas, e tempo de ser criança?? Será que ela gosta de todas as atividades que ela faz?

Lembro-me que na minha infância, quando chovia e ficávamos trancados em casa, sem poder brincar no quintal, aí é que nos divertíamos, criávamos brincadeiras, cabanas, comidinhas. Criança é naturalmente criativa, e muitas vezes, o ócio a estimula, e a criatividade estimulada é desenvolvimento cognitivo. A fantasia, o faz de conta é fantástico para uma criança, e muitas vezes, elas estão tão sobrecarregadas com atividades, que não lhes sobra tempo para isso. O tempo da criança é diferente do nosso, orientar as brincadeiras visando resultados, tendo a preocupação exclusivamente com o futuro, focando somente no que ela se tornará futuramente, é esquecer do presente, é não aceitar que a criança seja criança e que viva essa fase. Chega até a ser meio perverso. Não sou nenhuma “expert” em comportamento, desenvolvimento infantil, portanto, tais conclusões partem de minha experiência de vida. Para mim é simples: Criança tem que ter tempo para ser criança. Creio que isso evita complexos, traumas, fobias e obsessões futuras.

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente. É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada. Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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