criança chorando 2

Outro dia estava em um consultório e havia uma jovem com um bebê de cerca de quatro meses, talvez menos, nunca sei precisar isso. Estava no balcão resolvendo um retorno, já de saída e o bebê chorava muito, não era um pediatra, então, provavelmente, a mãe ia ser consultada e o bebê veio porque ela não tinha com quem deixar. Bem, o caso era que o bebezinho chorava muito e muitas vezes eu me virei para olhar, não que tivesse incomodada, mas porque estava com dó dele chorar tanto, e uma vontade insana de pegá-lo no colo e embalar, colocar o peito em sua boca, conversar com ele…Sei lá. O que me chamou mais atenção é que quando eu estava de costas, imaginava que o bebê estivesse sozinho. Não escutava sua mãe, escutei algumas perguntas de pessoas ao redor. O que ele tem? Será calor? Fome? Sono? E não escutava a voz da mãe conversar com ele. Mesmo sem o bebê entender a voz da mãe o acalma, o consola, o afaga. Talvez fosse tudo misturado ou talvez, não fosse nada daquilo que ele sentisse. A mãe segurava o bebê como se ele fosse um saco pesado. Como se tivesse constrangida por ele chorar, por  “incomodar” as pessoas. A cultura de que o bebê tem que ser “bonzinho”.

Há uma ideia que criança tem que ser comportada para ser bem educada, não chorar alto nos lugares, não correr, não interromper, não saltar, não escalar… Longe disso ela é estereotipada. Isso é tão maldoso. Criança tem que ser criança, ela não vai ser uma em casa e outra na rua. Ela não vai deixar de ser criança e agir como “pequeno adulto” para agradar ou receber um cafuné.  Ser mal educado é outra coisa. Isso se chama poda.

O consultório estava barulhento, muitas mulheres conversando, sons mecânicos, campanhias, risos, telefones tocando, sons altos e estranhos para um bebê, mesmo não sendo recém nascido. Todo bebê que chora quer dizer algo, chora por algo.  É desinformação nomear, mascarar tudo como birra, como necessidade de chamar atenção. Talvez, esse bebê, só quisesse que a mamãe dele fosse para um lugar mais tranquilo, conversasse com ele, oferecesse o seio, o aconchegasse… Por que ela não fez isso?? Sai de lá com essa dúvida.

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Por que alguns pais não conversam com seus filhos? Não lhes dão ouvidos??

Certa vez, li em algum lugar que a melhor maneira ou exercício para ver o mundo na perspectiva da criança é ajoelhar-se e caminhar pela casa assim, do tamanho do bebê. A casa tem outro tamanho, seu olhar não contempla tudo. O ideal seria se fazer esse exercício de empatia, talvez assim sua visão mudasse.

A vida seria mais fácil se houvesse conversa. Os relacionamentos entre pais e filhos seriam mais amistosos. O casamento, o trabalho, tudo ficaria mais simples.

 

 

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente.
É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada.
Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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