Dos 125 milhões de pessoas afetadas pela psoríase no mundo (dados da National Psoriasis Foundation – NPF), quase 1/3 são crianças. Estudos ainda estimam que do total de casos da doença, cerca de 25 a 45% tenham início antes dos 16 anos de idade e entre 30% e 50% comecem antes dos 20 anos (informações da Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD). Dentro desse contexto, pesquisas ainda constataram que a incidência da patologia no público infantil mais que dobrou entre 1970 e o início dos anos 2000.

Semelhante ao que ocorre em quadros adultos de psoríase, na infância, a enfermidade se manifesta por meio de placas avermelhadas (eritemas) e abundantes, que apresentam descamações prateadas e podem ter formas e tamanhos diferentes. Apenas alguns casos costumam apresentar características diferentes, como placas únicas ou pouco abundantes e sem descamações. No entanto, quanto aos locais atingidos pelas lesões características da patologia, há diferenças entre os quadros infantis e adultos.

“Em crianças, as manchas podem aparecer na face, nas dobras das articulações e nas axilas, o que não é tão comum em adultos. E nos primeiros anos de vida, podem surgir na virilha, nos órgãos genitais, glúteos e na região abaixo do umbigo, que é a ‘área das fraldas'”, descreve a Ph.D e consultora da Biobalance, Dra. Maria Inês Harris. “Mais tarde, as placas podem atingir o tronco e os membros, e em casos mais raros, acometem a região abaixo das unhas, provocando o seu descolamento”, completa.

De acordo com a literatura, na infância ela está associada a um maior risco de hiperlipidemia, obesidade, artrite reumatoide, hipertensão, diabetes mellitus e doença de Crohn. Outro importante agravante da psoríase em crianças é a relação da enfermidade com comorbidades e o impacto dos sintomas sobre a autoestima desses pacientes. “Na infância, o impacto estético das lesões costuma ser supervalorizado, o que pode afetar o convívio social e familiar e, por consequência, a qualidade de vida da pessoa”, explica a especialista.

Como se dá o tratamento na infância?
Após o diagnóstico clínico por meio da avaliação minuciosa de um dermatologista para atestar a doença, na maioria dos casos, a psoríase em crianças pode ser controlada tal como nos adultos, por meio do tratamento tópico. Também é importante que o paciente infantil se exponha moderadamente à luz solar.

A Dra. Maria Inês também ressalta que os pacientes de pouca idade, que têm a pele mais sensível e sujeita a irritações, podem contar com cremes sem corticoides, parabenos e fragrâncias para tratar a psoríase. “Eles têm a vantagem de não terem corticoides. Além disso, são neutros, altamente hidratantes, hidrolipídicos e antioxidantes, o que ajuda na recuperação da barreira cutânea, danificada pela descamação”, informa a especialista.
Segundo ela, os corticoides, apesar de eficazes contra a as manchas ocasionadas pela doença, trazem efeitos colaterais quando muito utilizados, o que torna seu uso menos vantajoso.

“Uma das reações provocadas pelo uso abundante de corticoides é o aumento do nível de cortisol no sangue, o que pode levar até a síndrome de Cushing, que afeta o funcionamento de vários sistemas do organismo, acarretando doenças como obesidade, diabetes, gastrite, entre outras”.

Nos casos mais agudos de psoríase infantil, são indicados os tratamentos medicamentosos de uso sistêmico, que atuam mais intensamente reduzindo rapidamente os sintomas. Porém, como a maioria desses métodos não foi aprovada para o cuidado infantil e ainda não há muitas diretrizes que regulem essa utilização lembramos que a supervisão e orientação médica é essencial, especialmente no caso da psoríase infantil.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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