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Cerca de 53 milhões de pessoas no Brasil relatam desconforto digestivo após o consumo de derivados de leite[1], mas não é só por aqui que isso acontece. Mundo afora, existem grupos étnicos onde a prevalência da intolerância à lactose é maior, como nos asiáticos, sul-americanos e negros. Eduardo André, Doutor pela FMUSP e Pós-Doutor em Gastroenterologia pela Universidade de Londres, explica essa relação.

Estudos indicam que negros, asiáticos e sul-americanos estão entre as pessoas com maior propensão a intolerância à lactose. Juntas, estas populações podem ter até 80% das pessoas com intolerância na fase adulta[2]. No noroeste da Europa, por outro lado, a incidência em adultos é menor que 20%. Esse desconforto acontece devido à deficiência da lactase, que digere a lactose (o açúcar) presente no leite e derivados[3].

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O especialista aponta que o principal motivo para as diferenças entre os níveis de intolerância nestas nacionalidades é a adaptação aos hábitos regionais, que se estabelecem ao longo de centenas de anos. “Por conta disso, as condições de aparecimento dos sintomas são multifatoriais, como hábitos da dieta local, variedade de alimentos disponíveis, interação química entre estes alimentos e tipo de preparação, hereditariedade e velocidade de absorção de cada organismo”, destaca.

Para o médico, alimentos lácteos são grandes fontes de nutrientes, importantes para o desenvolvimento humano. “Quando há intolerância, recomenda-se acompanhamento médico com gastroenterologista e nutricionista. Dessa forma, será possível entender corretamente o organismo e suplementá-lo da melhor maneira, levando-o a ter uma vida praticamente normal”.

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Dr. Eduardo André ressalta que é possível neutralizar o problema com essa suplementação. “No mercado nacional, já se tem a possibilidade de comprar e usar a enzima lactase, que permite a ingestão de refeições lácteas sem qualquer receio, proporcionando bem-estar e dieta balanceada aos intolerantes. Importante verificar também se a eficácia é testada e comprovada, mais um indício para garantir qualidade de vida”.

Ele esclarece ainda que há opções, como comprimidos, que podem ser levados a qualquer local e serem consumidos com 15 minutos de antecedência da refeição. “Dessa forma, o corpo não deixa de absorver alimentos importantes para seu desenvolvimento. Os derivados de leite são ricos em proteínas, vitaminas e cálcio, e devem estar presentes em todas as fases – infância, idade adulta e senioridade”, explica.

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A intensidade dos sintomas varia, dependendo da quantidade de lactose ingerida, e aumentam com o avançar da idade[4]. Por conta disso, Dr. Eduardo conclui alertando que “deve-se ter atenção aos sinais do corpo e manter uma dieta equilibrada e saudável. Pode ter ingestão de leite e derivados sim, como sorvetes, bolos e queijos, desde que com a correta suplementação”, finaliza.

[1] Pesquisa recente conduzida pelo instituto DataFolha com o intuito de identificar o grau de conhecimento da população brasileira sobre a intolerância à lactose. Foram entrevistadas 2091 pessoas, entre 28 de Junho e 01 de Julho de 2016, em 132 municípios distribuídos por todo o País.

[2] Intolerância à lactose por Flávio Antonio Quilici e Alessandra Missio.

[3] Estudo feito por:Tadeu Fernando Fernandes (Especialista em Pediatria pela AMB/SBP. Pesquisador em Nutrição Clínica. Presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria).

[4] Intolerância à lactose: mudança de paradigmas com a biologia molecular.

[5] Folheto Perlatte.

Formada em Nutrição, divide o tempo de trabalho entre a clínica, alimentação escolar e fotografia! É mãe de um super herói, blogueira desde a adolescência, meio nerd, adora música, moda, séries e filmes.

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