Sabe uma coisa que me parte o coração?? Maroca chorando, sentindo minha falta sem que eu esteja por perto. Mas, a mãe que trabalha e estuda passa por isso. Dói vê-la já em outro colo, esticando os braços, me chamando e chorando. Confesso que a vontade é largar tudo e correr para ela, abraçar e não sair mais dali. Mas, e as contas? E os compromissos éticos e morais com pessoas que precisam do seu trabalho. Ela chora por pouco tempo, até alguém colocar um desenho animado na TV ou chamar sua atenção para um brinquedo ou brincadeira, mas mesmo assim, sinto como se tivesse abandonando-a. E acho que ela pode sentir a mesma coisa.

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Quando há a perspectiva de um feriado prolongado, vejo a possibilidade de ficar mais tempo com ela, e não há mais nada, além disso. Fazemos tudo juntas e como é bom. Mas, se antes do feriado ela já estava ambientada a acordar cedo, a ficar com outras pessoas, sem chorar, até feliz. Depois de um feriadão, volta os choros, o meu coração partido, minha maquiagem borrada. Parece que ela não aceita abandonar os bons dias de acordar mais tarde, de ter mamãe ao alcance de um braço, um chamado, um beijinho. O que fazer?

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Procuro sempre conversar com ela, mesmo vendo a negativa na sua cabecinha que balança de um lado para o outro. Explico que mamãe precisa ir trabalhar, que o dia vai passar rápido, que ela vai brincar um pouquinho, lanchar, brincar mais um pouco, almoçar, cochilar e mamãe já vai está pertinho. Explico pertinho dela, com carinho, dando beijinho e dizendo que vou sentir muita falta dela o dia todo, que também não gosto de ficar longe dela, que a amo muito, mas que tenho que ir, beijo e entrego-a e tento sair logo. Geralmente ainda fico por perto, mas sem que ela me veja, principalmente porque na maioria das vezes, choro também. Que mãe nunca chorou por isso?

Passamos mais tempo no trabalho que em casa com nossos filhos, geralmente quando os pegamos pertinho da noite, já estamos tão cansados e fadigados que não vemos a hora do pequeno ir para a cama. Em muitos casos, ao chegar em casa o trabalho não para, há pratos sujos, casa desarrumada, roupas para dobrar, lavar, passar, comida para fazer, compras para guardar… Não temos ânimo para brincar, tempo e a paciência foi embora no primeiro chorinho. Mas, o que os pequenos têm a ver com nosso dia estressante e por termos que trabalhar tanto para garanti-lhes o mínimo de conforto e dignidade.  Eles precisam de atenção em todo e qualquer horário. Se há parceria, que tal revezar na atenção com o ou os pequenos, se não, só mais um pouquinho, eles crescem rápido demais.

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente.
É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada.
Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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