Texto da psicopedagoga Jéssica Cavalcante

Frequentemente nos deparamos com dicas na internet para fazermos atividades com nossos pequenos. Entretanto, cada criança é única, com uma história de vida diferenciada e principalmente, cada criança possui potencialidades diferenciadas. Um dos dilemas enfrentados no contexto terapêutico, familiar e escolar, é justamente, como podemos explorar o máximo de cada recurso e brinquedos. Adaptando para a faixa etária e habilidades de acordo com o desenvolvimento de cada criança.

A caixa da raiva originalmente foi criada para trabalhar a regulação emocional dos pequenos e a habilidade de auto-controle (acesse esse link e conheça um pouco da história por trás da caixa da raiva http://www.criandocomapego.com/caixa-da-raiva-melhor-maneira-contra-raiva-e-ira-das-criancas/).

Entretanto, podemos adaptá-la para os mais variados contextos e situações. Em uma das sessões que realizei com Aécio, optei por utilizar a caixa não só para trabalhar a questão da regulação emocional, mas para promover um momento que gosto de chamar de “desabafo”. Ao contrário de nós, adultos, as crianças, não falam de “seus problemas” de modo tão espontâneo, primeiramente, ela precisa estar envolvida em uma atividade, além de ter confiança para poder falar o que realmente sente.

Todas as vezes que Aécio enfrenta algum novo desafio na escola, trabalhamos isso durante as sessões, de modo que ele nem percebe, afinal para ele estamos fazendo mais uma brincadeira ou atividade, e como todas outras brincadeiras, ele adora.

Optei por invés de solicitar que ele desenhasse, entreguei cartões (pequenos pedaços de folha A4) e solicitei que ele escrevesse um pouco das situações que não o agradam na escola, que me explicasse o que havia ocorrido, porque ele não gostava e assim deixei que ele falasse exatamente tudo que quisesse. Após isso, apresentei a ele a caixa que tem o poder mágico.

Essa caixa, faz com que nossa tristeza, raiva, medo e decepção desapareçam. Ele colocou os cartões dentro da caixa, chacoalhamos ela. Em seguida solicitei que ele rasgasse os cartões e colocasse eles de volta na caixa.

Então, entreguei a Aécio o recipiente para fazer bolinhas de sabão. Ele adorou, fez várias bolinhas de sabão. O fato de assoprar para fazer as bolinhas, acalma a criança, já que trabalha a frequência respiratória.

Essa atividade você pode fazer com seu filho (a) toda vez que acontecer alguma situação estressante, triste ou alguma decepção independe do contexto. Isso faz com que as crianças percebam que todos nós temos momentos ruins e como todo momento, tudo passa.

*Essa atividade trabalha aspectos emocionais e cognitivos (regulação emocional, atenção, consciência fonológica, pensamento simbólico e etc)

Mãe de Aécio e esposa de Renato, publicitária, especialista em Criação Visual e Multimídia, trabalha com marketing e comunicação e, além do Mãe do Ano, é responsável pelo Roteiro Baby JP, que divulga a programação infantil de João Pessoa, é presidente da Associação das Mulheres empreendedoras da Paraíba, tem uma banda de músicas infantis - a Catavento Colorido - e desenvolve atividades para crianças através da Colmeia Projetos Criativos.

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