O recreio é um componente crucial e necessário do desenvolvimento de uma criança e, como tal, não deve ser usado por razões punitivas ou acadêmicas

Quando se trata de disciplina em sala de aula, cada escola tem seu próprio conjunto de regras – mas uma “resposta universalmente popular ao mau comportamento” é proibir que as crianças participem do recreio.

O problema é que muitas pesquisas vêm mostrando que o recreio beneficia a saúde mental e física das crianças. Assim, quando o tempo para brincar e aproveitar o ar fresco é eliminado como uma “tática disciplinar”, as consequências podem ser piores do que o pretendido.

Embora agora em declínio, a proibição de ir ao recreio foi prática comum. Os administradores escolares argumentavam, no passado, que tirar o tempo de brincadeira livre era uma forma eficaz de coibir o mau comportamento dos estudantes. Uma pesquisa da Fundação Robert Wood Johnson, realizada em 2010, revelou que 77% dos diretores americanos relatavam a suspensão do recreio como punição. Isso é um pequeno decréscimo em relação aos resultados de um estudo de 2006, publicado no Journal of School Health, que descobriu que mais de 81% das escolas americanas adotavam a política de tirar o recreio escolar.

“Mas hoje, cada vez mais, os funcionários das escolas estão reconhecendo que tirar o recreio faz mais mal do que bem à saúde física, emocional e comportamental de uma criança. Como resultado, muitas escolas não adotam mais esta prática. A atividade física e brincadeira desestruturada não são luxos para as crianças, e sim partes fundamentais do seu aprendizado e  crescimento”, afirma o pediatra e homeopata, Moises Chencinski.

Em um documento de 2012, a Academia Americana de Pediatria afirmou que um tempo de recreio seguro e supervisionado beneficia o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico do aluno, dando-lhe uma pausa dos “desafios acadêmicos concentrados na sala de aula. O recreio é único. É um complemento da educação física – não um substituto para ela”.

Múltiplos estudos mostraram que, quando as crianças têm pelo menos 20 minutos de recreio – o tempo recomendado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA -, elas se tornam mais atentas e produtivas nas aulas. “A pesquisa também provou que o brincar pode ajudar as crianças a desenvolver habilidades de comunicação, como solução de problemas e cooperação. Também é fato que o brincar ajuda nas habilidades de enfrentamento, como autocontrole e determinação”, destaca o médico.

De fato, um estudo da Universidade do Colorado, publicado no Frontiers in Psychology, descobriu que estudantes de 6 anos de idade que participavam de brincadeiras livres e outras atividades não estruturadas com mais frequência, apresentavam habilidades maiores para funções executivas, tais como gerenciamento de tempo e  tomada de decisões.

“Não há como negar que o recreio desempenha um papel crucial na vida de uma criança. Vamos torcer que mais escolas percebam que tirá-lo é mais prejudicial do que educativo”, defende o pediatra.


Pediatra e homeopata, Moises Chencinski
Site:http://www.drmoises.com.br




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