autoridade

 Um dia desses presenciei algo que me deixou triste. Um pai batendo no seu filho, de pouco mais de 4 anos e gritava com ele: você me respeite!! Você me respeite!! Esse era o monologo que ouvíamos, pois a criança só gritava. Preocupa-me saber que um pai para “ganhar” o respeito do filho ache necessário bater nele. Como chegou até aí ?? Onde vai parar?? Faço minhas suposições… Na verdade, não chegou até aí, como se tivesse partido de um ponto que tivesse respeito e carinho e depois, aconteceu algo que mudou isso. Não! Não! Nunca ouve. Os pais se gritam, se agridem verbal e fisicamente, e consequentemente, gritam e agridem os seus filhos. Não precisa chegar a lugar nenhum, pois a criança já responde os pais aos gritos, xinga-os de palavrões e joga pedra neles. A família já teve intervenção do conselho Tutelar. No dia do fato, fizemos uma denuncia também.

A questão é: Onde começa a autoridade e termina o autoritarismo ou vice-versa. Às vezes, as pessoas tratam as crianças como se elas não entendessem nada ou só tivessem a obrigação de respeitar regras, sem explicação nenhuma.

A revista Planeta, edição: 433( virtual), de outubro de 2008 descreve o seguinte sobre o tema:

“Autoridade e autoritarismo são coisas muito diferentes. Ambas as palavras têm o mesmo radical: autor. Mas, enquanto a primeira pode ser entendida como o poder de impor limites necessários para a convivência em sociedade, a segunda indica um exacerbamento desse poder, realizado pela simples imposição de uma ideia sem possibilidade de contraposição.

É exatamente por confundir e misturar os significados de autoridade e de autoritarismo que tantos pais, hoje, têm medo de exercer qualquer forma de poder sobre seus filhos – seja ele justo e necessário à boa educação da criança ou um poder ilícito e prepotente, ditado apenas pelo desejo arrogante de se impor a qualquer custo.

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Em qualquer tipo de relação humana, o autoritarismo é sempre estúpido e nefasto. Mas, em relações do tipo professor/aluno e, sobretudo, nas relações entre pais e filhos, a autoridade é indispensável para a construção sadia da criança.”

O autoritarismo desrespeita, maltrata e forma crianças fragilizadas. A autoridade inspirada no respeito e amor, forma crianças seguras, e conscientes.

Não se pode ter medo de impor certos limites à criança. Sem gritos, sem bater. É certo que há fases que são mais complicadas que as outras, fases em que as crianças testam nossa autoridade, impõem sua autonomia. Mas, uma coisa é certa: nossos filhos não vão deixar de nos amar, só porque cumprimos nosso papel de pais, na educação deles.

Considero que a conversa resolve muitas coisas. As crianças querem e necessitam conhecer os fatos, só um “porque sim” não responde questões infantis, e convenhamos, nem adultas. E não pense que usando o “porque sim”, a criança vai deixar de pensar no fato, seguir a ordem e pronto. Ela vai tomar suas próprias conclusões, e talvez, não seja a correta. Não é melhor parar um pouco e explicar por que não empurrar seu coleguinha; por que é melhor pedir que pegar as coisas; por que ir a escola mesmo quando passa um bom filme na programação a TV; por que comer verdura…  E tantos outros questionamentos que as crianças fazem diariamente. Criança entende tudo, tente explicar. Mais tarde, você verá que ela passará sua explicação com riqueza de detalhes para outras pessoas. Porém, nada melhor que o exemplo, princípios morais e éticos até aprendemos conversando, mas nos realizamos exercendo.

Autoridade com amor, sempre!!

Assistente social formada pela UFPB, ama sua profissão, mas tem outras paixões e escrever é uma delas. Por isso, cursou Letras até o sétimo período, mas parou quando Maria Paula nasceu e se viu renascendo como gente, como ser vivente. É casada, trabalha, estuda e é mãe apaixonada. Ama poemizar a vida, transformar sentimentos em palavras e é melhor escrevendo que falando.

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