Se tenho uma certeza sobre a maternidade e paternidade conscientes, é que mudam homens e mulheres. Impossível receber um bebê e continuar o mesmo. Filho muda tudo. Transformam-se corpos, sonhos, medos e hábitos. Toda a rotina necessita ser adaptada à chegada desse ser tão dependente e diferente. Aceitar que a vida precisa de reorganização, torna o processo de construção de uma nova identidade mais leve, enquanto resistir, gera constante frustração.

Na maternidade e paternidade ativas, há um intenso trabalho em conhecer-se e conhecer os filhos. As prioridades não são mais as mesmas, mas como suprir as demandas dos pequenos sem negligenciar nossas necessidades? Acredito que inexiste uma resposta objetiva para essa pergunta, mas entendo que há um caminho único para cada família, o qual pode ser descoberto a partir do estabelecimento de uma conexão entre pais e filhos.

Os recém-nascidos, instintivamente, dão o primeiro passo para a construção desse vínculo: o choro, a necessidade de colo, a amamentação são meios que os aproximam das pessoas em volta. Atentos às oportunidades de observá-los e dispostos a suprir essa demanda, os pais podem dar o segundo.

A medida que a identidade dos filhos vai se formando, vamos nos reconhecendo neles e temos a oportunidade de crescer, de sermos cada vez melhores, mas esse caminho de transformação e conexão exige paciência. Renato Teixeira e Almir Sater disseram:  “Ando devagar porque já tive pressa” e nós sabemos que “a pressa é inimiga da perfeição”, para mães e pais a pressa pode ser, também, inimiga do vínculo, da comunicação e da paz!

Ouvindo “Tocando em frente”, lembrei do meu avô tocando boiada com seu chapéu de couro, pai de 13 filhos, vale salientar. Tão sereno, cantando para os bois, andando devagar! Imagino a maternidade e paternidade mais leves se levadas assim, com calma:

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs,
é preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha,e ir tocando em frente
como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
estrada eu sou

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Esperar o tempo dos filhos sem desrespeitar o nosso é uma tarefa difícil, mas tendo consciência de que a vida é feita de fases, de que eles estão em desenvolvimento (mais do que nós – rsrs), saberemos o que precisa ser feito agora e o que pode esperar! Deixemos nossos filhos passarem duas horas almoçando, de molho no banheiro, catando pedrinhas e folhas na rua. Alguns minutos não irão atrasar nossas vidas e logo os pequenos serão grandes e correrão mais do que nós!

Mãe do criativo Benício e do irresistível Danilo, Laís é, em tempo integral, pirata, dinossauro, assistente de mágico e inventora de brincadeiras. Nas horas vagas, a professora de português é letra, ponto a ponto, objetiva. Fascinada por tudo que envolve educação parental, disciplina positiva e criação com apego, aprende todos os dias, com seus meninos, como ser uma pessoa melhor e divide suas experiências no instagram @desplanos. Cristã.

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