amamentacao

Desde que iniciei a jornada como mãe, fui tomada de imensa vontade de aprofundar meus conhecimentos sobre a amamentação, este tema polêmico, um pouco até clichê, mas de enorme importância bio/psicoemocional  para o binômio mãe-bebê / bebê-mãe. Na minha prévia experiência como profissional, eu já procurava estimular as mamães a terem sucesso neste ato de amor, mas apenas baseado nos conhecimentos acadêmicos e nos breves relatos obtidos no dia-a-dia com as genitoras de meus pacientes. Vivenciar “na pele” o que é realmente amamentar trouxe-me uma enriquecedora experiência e clarificou uma série de fantasias que circundavam esta temática para mim.

Quando vemos comerciais televisivos e cartazes informativos feitos com objetivo de promover a amamentação, temos a impressão que é algo muito fácil e que não tem como não dar certo.  Na verdade, alimentar bebês com o nosso leite passa longe de ser simples no início, apesar de tornar-se muito gratificante e natural com o tempo. Para ficar mais didático, vou detalhar as principais dificuldades neste comecinho de lactação por tópicos.

  • Mamilos sensíveis:  Os seios da puérpera ainda estão sob o estímulo de hormônios do período da gravidez que tornam os mamilos muito sensíveis ( em grande parte das mulheres). Ou seja, a mamãe terá que passar pela primeira prova que é o desconforto inicial ( que é mínimo quando o bebê tem a pega e a posição corretas, que falarei mais adiante).
  • Colostro: Após o nascimento até acontecer a apojadura (período em que ocorre a “descida” efetiva do leite), a quantidade de leite produzido é bem pequena ( contudo suficiente e muito nutritiva para o recém-nascido) e isso gera muita ansiedade e insegurança sobre a qualidade e a capacidade de produzir a quantidade de alimento necessária para nutrir e saciar o pequeno.
  • Blues-puerperal: Nos primeiros dias do pós-parto, em decorrência da diminuição dos hormônios presentes na gravidez e com tantas novidades a administrar nesta circunstância, 60% das mulheres vivenciam uma sensação de melancolia, impotência e solidão que podem dificultar a amamentação. Estes sintomas duram entre duas e três semanas, desaparecendo espontaneamente ( não confundir com depressão pós-parto que é uma patologia que exige acompanhamento e tratamento especializado).
  • Rede de apoio: Quando se conta com uma rede de apoio ( esposo, mãe, sogra, amiga próxima…) que incentiva a amamentação, a chance de sucesso aumenta, minando a insegurança própria do blues puerperal.
  • “Pitacos”: Da mesma forma que a rede de apoio serve como estímulo, os pitacos indesejados de que o “leite é fraco, que não está deixando o bebê saciado…”, se forem levados em consideração pela nova mamãe, podem ser fonte de desmame precoce.
  • Pega e posição:  É muito importante que a mamãe tenha recebido as orientações profissionais de pega e posição adequadas. Quando isto não acontece, há uma maior predisposição  a fissura, a sangramento e, até mesmo, a mastite. A ilustração da postagem, feita pelo meu esposo, André Pimenta, serve como dicas de boa pega (boca do bebê bem aberta, lábio inferior evertido, queixo tocando o seio, aréola superior mais visível que a inferior…). Quanto a posição, existe uma variedade de posições que são adequadas a amamentação ( a tradicional sentada, a deitada, a invertida e “a cavalo”), mas o fundamental é observar se entre a cabeça e o corpinho do bebê consegue-se passar uma reta imaginária, ou seja, se não há rotação em algum deles que possa dificultar a deglutição do leite.

Espero que o conhecimento teórico destes tópicos possa ser útil, especialmente às mamães de primeira viagem. Continuamos com a temática da amamentação nas próximas postagens.

Contribuição do leitor.
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